quarta-feira, outubro 20, 2021
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Zika pode ser transmitido pelo pernilongo, diz pesquisador

Uma pesquisa inédita
realizada pela Fiocruz detectou a presença do vírus zika em mosquitos Culex
quinquefasciatus (a popular muriçoca ou pernilongo doméstico) coletados na
cidade do Recife. Isso vem a confirmar a espécie como potencial vetor do vírus
causador da zika.
Em entrevista ao Notícia
da Manhã desta sexta-feira (22), o médico e pesquisador, Carlos Henrique Nery
Costa, disse que a investigação trouxe uma notícia muito forte e surpreendente.
“Se for confirmada, todo o programa de controle dessas doenças precisam ser
reforçadas. Inclusive do Zika, que ainda possui muitos mistérios”.
O pesquisador destacou
ainda que ela encontrou o Zirus dentro do mosquito, estando o vírus também
presente nas glândulas salivares, que é a ultima etapa da transmissão para o
hospedeiro humano.
Ele ressaltou que a
mudança do pernilongo doméstico é muito mais forte e recorrente do que a do
Aedes aegypti.
“As evidencias são muito
fortes. A mudança do Culex com relação ao Aedes é muito forte, o que poderia
explicar muitas coisas na transmissão”.
“O que ainda não foi
demostrado ainda é que se os mosquitos infectados pelo Zika Virus são capaz de
transmitir ou transmitem para outras pessoas. Essa última evidência está
faltando. Falta a gente medir também o que chamamos de capacidade vetorial
porque ainda se está medindo a competência, ou seja, a capacidade de se
infectar”, explicou o médico.
O
Pernilongo
O pernilongo é uma espécie
de mosquito mais abundante no ambiente urbano das áreas tropicais e
subtropicais, podendo estar presente em uma densidade 20 vezes maior que o
Aedes aegypti.
Pesquisa
A pesquisa foi conduzida
pela Fiocruz Pernambuco na Região Metropolitana do Recife, onde a população do
Culex é cerca de 20 vezes maior do que a população de Aedes aegypti. Os
resultados preliminares da pesquisa de campo identificaram a presença de Culex
quinquefasciatus infectados naturalmente pelo vírus zika em três dos 80 grupos
de mosquitos analisados até o momento. Em duas dessas amostras, os mosquitos
não estavam alimentados, demonstrando que o vírus estava disseminado no
organismo do inseto e não em uma alimentação recente num hospedeiro infectado.
A coleta dos mosquitos foi feita com base nos endereços
dos casos relatados de zika nas cidades do Recife e Arcoverde, obtidos com a
Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco (SES-PE). O número total de mosquitos
examinados na pesquisa foi de aproximadamente 500. O objetivo do projeto é
comparar o papel de algumas espécies de mosquitos do Brasil na transmissão de
arboviroses. Foi dada prioridade ao vírus zika devido a epidemia da doença no
Brasil e sua ligação com a microcefalia.
A partir dos dados obtidos, os pesquisadores afirmam
que serão necessários estudos adicionais para avaliar o potencial da
participação do Culex na disseminação do vírus zika e seu real papel na
epidemia. De acordo com a Fiocruz, o estudo atual tem grande relevância, uma
vez que as medidas de controle de vetores são diferentes.
Com
informações do Extra
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