WhatsApp pode voltar a ser bloqueado no Brasil, diz delegado

04/03/2016 20h02
O delegado Fabiano
Barbeiro, que solicitou o bloqueio do WhatsApp no Brasil no final do ano
passado, disse em entrevista à Rádio Câmara que pode pedir novamente a
suspensão do serviço do aplicativo. O motivo seria a falta de cooperação da
empresa numa investigação que envolve o PCC, Primeiro Comando da Capital.
A polícia vem solicitando
a quebra de sigilo do WhatsApp, para fornecer informações sobre o caso, desde
julho de 2015. A empresa já foi notificada e multada pelo descumprimento e, em
dezembro de 2015, o Ministério Público ordenou o bloqueio dos serviços no país
por 48h.
Fornecimento de
informações
Segundo a rádio, um
representante do WhatsApp justificou a falta de cooperação da empresa
argumentando que, como os dados trocados pelo aplicativo são criptografados, o
WhatsApp não teria como fornecer as informações solicitadas pelos
investigadores.
Para Barbeiro, no entanto,
essa justificativa não é plausível. Ele argumentou que quando um usuário recebe
uma mensagem e não a abre, ela fica armazenada no sistema – isso provaria que o
WhatsApp possui dispositivos de armazenamento.
Sobre a justificativa da
empresa, Barbeiro disse que a considera “completamente improvável. O que eu
acredito, sim, é que existem razões comerciais para que ela [o WhatsApp]
mantenha essa resistência”. O delegado disse também que os representantes da
empresa no Brasil também poderão ser responsabilizados criminalmente caso o
WhatsApp não coopere.
Questão global
O assunto foi discutido em
uma audiência pública realizada pela CPI dos Crimes Digitais ontem –
coincidentemente, no mesmo dia em que Diego Dzodan, vice-presidente do facebook
na América Latina, foi preso por um motivo semelhante ao que levou à suspensão
do WhatsApp no ano passado. Embora Dzodan já tenhea sido solto, o Facebook também
pode vir a ser bloqueado caso não coopere.
Não é apenas no Brasil que
situações como essa acontecem. A Apple, por exemplo, passa por uma situação
semelhante nos Estados Unidos, cujo Departamento de Justiça ordenou que a
empresa criasse uma maneira de burlar a segurança de seus iPhones para auxiliar
em uma investigação. A empresa se negou a cooperar.

Por: Portal No Detalhe

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro