Para quem afirma “ser a própria imagem da ética”, a candidata Patrícia tem muito a explicar sobre a própria chapa. O candidato a vice-prefeito escolhido por ela, Leonardo Salazar, responde por uma série de irregularidades do tempo em que presidia o comitê gestor do São João de Caruaru. A gestão do vice da candidata carioca é investigada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas do Estado. Em outra operação questionada pelos órgãos de controle, Leonardo autorizou pagamentos a empresários de bandas antes dos shows serem realizados, o que também é proibido pela legislação.

Em 2017 o vice de Patrícia era a pessoa responsável por todos os eventos realizados em Caruaru, como comprova o Diário Oficial do Município, publicado no dia 17 de fevereiro daquele ano. Para o Ministério Público de Contas de Pernambuco o São de Caruaru, coordenado por Leonardo Salazar, apresentou “irregularidades graves que atentam contra os princípios da administração pública”, como afirmou no relatório o procurador Cristiano Pimentel. O promotor descobriu irregularidades na licitação, que ultrapassava os 3 milhões de reais para a montagem da estrutura da festa. O Ministério Público deu uma nota de improbidade à gestão de Salazar e pediu a rejeição das contas de Caruaru. E com contas rejeitadas, os municípios têm dificuldades para assinar convênios.  

No ano seguinte, o Ministério Público abriu inquéritos contra quatro licitações do São João de Caruaru, que tinha Leonardo Salazar como coordenador. Mais que isso, ele tinha a responsabilidade de acompanhar e fiscalizar todos os contratos, conforme está no Diário Oficial do MP. A soma total dos quatro processos investigados pelo Ministério Público ultrapassava os 2,8 milhões de reais. Em janeiro de 2019, o vice de Patrícia foi nomeado vice-presidente da Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru. Ele autorizou pagamentos de mais de um milhão de reais, a artistas de fora do Estado, antes que os shows tivessem acontecido. O caso também está sendo investigado pelo Ministério Público, porque o que ocorre normalmente é o pagamento de parte dos cachês antecipado e outra parte só após a prestação dos serviços. Entre as empresas que receberam de véspera está a Masa Societária Ss, que tem como sócio administrador o fundador da Villa Mix, a mesma que foi alvo da operação Maus Caminho, da Polícia Federal, em 2016, num escândalo com verbas na saúde. O valor repassado foi de R$ 460 mil por dois espetáculos.

Em apenas três anos de gestão pública, o vice de Patrícia Domingos acumula passagens por uma série de investigações e inquéritos, que para o Ministério Público configuram reais prejuízos à população. Sendo Patrícia uma delegada, é de se estranhar não ter investigado a biografia do seu próprio colega de chapa, ainda mais quando os casos em questão tiveram tanta repercussão na imprensa, com notícias em alguns dos mais importantes veículos de Pernambuco e do país.

Magno Martins / Imagem: Reprodução