VALE A PENA LER, É SURPREENDENTE!

Por - 14/10/2015
Naquela noite, enquanto
minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: “Tenho algo
importante para te dizer”. Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra.
Pude ver sofrimento em seus olhos. De repente, eu também
fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava
pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.
Ela não parecia irritada
pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa:
“Porquê?” Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela
jogou os talheres longe e gritou “você não é homem!” Naquela noite,
nós não conversamos mais. Pude ouvi-la chorando. Eu sabia que ela queria um
motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta
satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a
Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.
Me sentindo muito culpado,
rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30%
das ações da minha empresa.
Ela tomou o papel da minha
mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se
tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e
energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane
profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já
era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por
divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais
perto agora.
No dia seguinte, eu
cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei,
fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter
passado o dia com a Jane.
Quando acordei no meio da
noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e volteia
dormir.
Na manhã seguinte, ela me
apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo
para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente
tentasse viver juntos de forma mais natural possível. As suas razões eram
simples: o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um
ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o
rompimento de seus pais.
Isso me pareceu razoável,
mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei
para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os
próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então
percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não
tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.
Eu contei para a Jane
sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a ideia totalmente
absurda. “Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa;
melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio”, disse Jane em tom de
gozação.
Minha esposa e eu não
tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei
para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos
aplaudiu dizendo “O papai está carregando a mamãe no colo!” Suas
palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a
porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha
esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho “Não conte para o
nosso filho sobre o divórcio” Eu balancei a cabeça mesmo discordando e
então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela
foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.
No segundo dia, foi mais
fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume
que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa
mulher. Ela certamente tinha
envelhecido nestes últimos
10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O
nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei
a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.
No quarto dia, quando eu a
levantei, senti uma certa intimidade maior como corpo dela. Esta mulher havia
dedicado 10 anos da vida dela a mim.
No quinto dia, a mesma
coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do
nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o
exercício, pensei.
Certa manhã, ela estava
tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não
conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse “Todos os meus
vestidos estão grandes para mim”. Eu então percebi que ela realmente havia
emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.
A realidade caiu sobre mim
com uma ponta de remorso… ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração…
Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.
Nosso filho entrou no
quarto neste momento e disse “Pai, está na hora de você carregar a
mamãe”. Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se
parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus
braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de ideia
agora que estava tão perto do meu objetivo.
Em seguida, eu a carreguei
em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa.
Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo.
Lembrei-me do dia do nosso casamento.
Mas o seu corpo tão magro
me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum
motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a
escola e eu me vi pronunciando estas palavras: “Eu não percebi o quanto
perdemos a nossa intimidade com o tempo”.
Eu não consegui dirigir
para o trabalho… fui até o meu novo futuro endereço,saí do carro
apressadamente, com medo de mudar de ideia… Subi as escadas e bati na porta
do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela “Desculpe Jane. Eu não
quero mais me divorciar”.
Ela olhou para mim sem
acreditar e tocou na minha testa “Você está com febre?” Eu tirei sua
mão da minha testa e repeti “Desculpe, Jane. Eu não vou me divorciar. Meu
casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da
nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que
carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo
segurá-la até que a morte nos separe.
A Jane então percebeu que
era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouvi-la
chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.
Na loja de flores, no
caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A
atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e
escrevi: “Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte
nos separe”.
Naquela noite, quando
cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto,
fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama,
morta.
Minha esposa estava com
câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a
Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em
breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio – e prolongou a
nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos
toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de
nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o
carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente
propício a felicidade, mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto,
encontre tempo para ser amigo de sua companheira, faça pequenas coisas um para o
outro, isso irá mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!
(Rubens Lima)
Valorize quem realmente te
ama. Pense nisso!