A vacina da Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica britânica AstraZeneca mostrou uma eficácia de 90% contra o novo coronavírus com apenas uma dose, de acordo com os dados preliminares de seus ensaios clínicos divulgados nesta segunda-feira (23).

Os dados obtidos nos ensaios clínicos ainda são preliminares e o estudo relativo à terceira fase de testes precisa ser revisado de forma independente e publicado em revista científica.

“A eficácia e a segurança desta vacina confirmam que ela será altamente efetiva contra a Covid-19 e terá um impacto imediato nesta emergência de saúde pública”, anunciou Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, através de um comunicado divulgado pela farmacêutica.

O imunizante, chamado ChAdOx1 nCov-2019, é desenvolvido a partir de um adenovírus de chimpanzé usado como vetor viral para estimular a resposta imunológica contra o Sars-CoV-2.

Segundo os dados preliminares, não houve confirmação de nenhum efeito adverso grave relacionado à vacina.

Vale lembrar que a vacina de Oxford é a única que possui acordo firmado com o governo brasileiro e está sendo testada no Brasil em estudo liderado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O acordo envolve a aquisição de doses e produção da vacina pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Com isso, a expectativa é de que Brasil tenha acesso à cerca de 200 milhões de doses da vacina até o fim do ano que vem.

A AstraZeneca apresentará os dados dos ensaios clínicos às autoridades regulatórias dos países para aprovação emergencial.

De acordo com os dados publicados, duas formas de dosagem estão sendo testadas na terceira fase de estudos em humanos.

O regime com meia dose, seguida de uma dose inteira com intervalo de um mês, foi o que apresentou 90% de eficácia na prevenção da Covid-19. Já a administração de duas doses completas, com intervalo de um mês, mostrou ser 62% eficaz. A análise combinada desses dois regimes apresentou eficácia média de 70%, diz a AstraZeneca.

Ao todo, foram detectados 131 casos da doença entre os voluntários, mas não houve nenhuma hospitalização entre aqueles que receberam o medicamento, e não um placebo.

Segundo a AstraZeneca, o resultado é positivo porque mostra que o regime de menor dosagem é mais eficaz contra o novo coronavírus, o que pode permitir vacinar mais pessoas de forma mais rápida.

Em seu perfil no Twitter, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que a notícia sobre a vacina de Oxford é “incrivelmente empolgante”. “Ainda é preciso fazer algumas checagens, mas esses resultados são fantásticos”, acrescentou.

A vacina britânica é a quarta a ter resultados de eficácia divulgados relativos à terceira fase de estudos clínicos. Nos últimos dias, a dupla Biontech/Pfizer e a Moderna haviam publicado que seus imunizantes contra o Sars-CoV-2 apresentaram índices de 95% e 94,5% de proteção, respectivamente.

Essas duas vacinas são feitas com uma tecnologia inovadora, baseada em um RNA mensageiro (mRNA) sintético, que consiste na sequência genética responsável pela codificação da proteína spike, espécie de casca de espinhos que o Sars-CoV-2 usa para atacar as células humanas.

Quando uma pessoa recebe essa vacina, suas células “leem” as instruções genéticas e produzem a spike. Em seguida, o sistema imunológico trata essa proteína como agente invasor e cria os anticorpos que, mais tarde, servirão para combater uma eventual infecção pelo novo coronavírus.

O mRNA, no entanto, exige temperaturas baixíssimas de conservação (-70ºC, no caso da Biontech/Pfizer, -20ºC no caso da Moderna), o que pode dificultar a distribuição em escala global, especialmente em países de vasta extensão territorial e com problemas de infraestrutura.

Já a vacina de Oxford utiliza uma tecnologia mais tradicional, com um adenovírus de macaco inativo levando ao corpo a sequência genética relativa à proteína spike. Esse imunizante pode ser conservado, transportado e manuseado em condições normais de refrigeração (2 a 8ºC) por até seis meses.

Outra vacina de vetor adenoviral, a russa Sputnik V, apresentou 92% de eficácia.

*Com Ansa / Imagem: Reprodução