UM PASSEIO POR ARARIPINA NA BUSCA POR UM PASSADO APAGADO

03/06/2016 13h16
Por Everaldo Paixão | Leia na integra>>>
Sempre quando visito o
calçadão, ali no centro, próximo ao Banco do Brasil, a Sorveteria de Nilo
Arraes, percorro com o meu olhar cinquentenário e com a visão nem tão assim
periférica, devido ao meu glaucoma, tantas coisas que vivi na minha juventude e
que procuro lembrar vagamente. A feira da farinha, a relojoaria de seu Abdon e
seu Zequinha Barbosa, a discoteca de Rivaldo Araújo, as praças coloridas e bem
cuidadas, a Henriqueta Modas, a loja de Anemiro Leite onde se vendiam as roupas
de marcas, o Cê Q Sabe, a Fonte Luminosa, e principalmente os casarões antigos
que ainda sobrevivem ao tempo e que logo serão tragados pelo desenvolvimento e
o progresso que não podem manter vivo a nossa história.
Lembro-me do ranzinza Zé
Mendes, figura caricata que era responsável pelos bilhetes no Cine Capri, e que
sempre me barrava por acreditar que eu não tinha 18 anos para assistir “filme
impróprio”, como era estampado no cartaz das 20 horas.
O ano era 1984 ou 1985 e
eu acabara de entrar na maturidade de compreender que podia voar mais alto,
mesmo em um cenário tímido que não tinha muita coisa para um sujeito que já ia
para os vinte e poucos anos sem muitas perspectivas de escolhas. Araripina ia
surgindo como a Princesa do Sertão, dos colegiais dos científicos, das Práticas
Agrícolas que aprendíamos no antigo CERU, sobre a maestria do Professo Elísio
Jaques, do Comércio lecionado pela sempre dedicada professora Vilani Batista,
do antigo Bar Colegial, encontro da juventude da época, e muitas coisas boas
das quais sentimos muita saudade.
As praças de Araripina em
1985 e 1986 eram cartões-postais da cidade e lá os jovens aproveitavam o
colorido da diversidade de flores, para marcar a posteridade com fotos que
pareciam inundadas de um ambiente prazeroso.
Eu as tenho como
recordação e me sinto na obrigação de perguntar: “Onde estão as flores, as
praças, o colorido, o verde e o brilho que tiraram do nosso cartão postal”?

Ainda temos muito pouco
para preservar. Da balaustrada sobrou quase nada. Do nosso antigo prédio da
prefeitura, apenas uma reforma tímida, deu uma oxigenada no que parecia
desprezado, e nos casarões antigos, restam-nos, aproveitar as máquinas potentes
que garantem imagens inconfundíveis, para destacar o que temos para lembrar
para a posteridade.
Aproveitem bastante,
porque o tempo é uma máquina veloz que não consegue esperar por decisões lentas
e que não sejam inesperadas. O prédio onde funcionava o consultório do
ex-prefeito Valmir Lacerda, uma emissora de rádio, além dos que abrigavam o
cine Marilac, foram transformados e podem com o tempo perder de vez as suas
características peculiares, planejados em um novo modelo arquitetônico ou,
simplesmente demolidos, sem que os novos araripinenses conheçam as suas
histórias.

Dr Valmir (era assim mesmo que era chamado)
com certeza terá muitas para contar, principalmente da sala de espera que dava
acesso ao seu consultório de dentista. Quantas pessoas não ficavam ali o dia
todo, só para ficar conversando umas com as outras. Hoje infelizmente, ninguém
mais interage com ninguém. O celular virou amigo virtual, mesmo o amigo virtual
estando próximo e sendo de pele e osso.

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro