Turbulência: relatório do MPF e Policia Federal diz que João Carlos Lyra era ‘laranja’ de Eduardo Campos

25/07/2016 13h03
Provas compartilhadas pelo
ministro Teori Zavascki, relator do caso da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal
Federal), trazidas ao bojo da Operação Turbulência, deflagrada pela Polícia
Federal de Pernambuco, no mês passado, apontam que o empresário João Carlos
Lyra Pessoa de Melo Filho, um dos supostos cabeças do esquema, era beneficiário
do dinheiro desviado da construtora Camargo Corrêa, na refinaria Abreu e Lima,
e uma espécie de “laranja” do ex-governador Eduardo Campos, morto em agosto de
2014, em meio à campanha presidencial, na queda de um avião Cessa Citation, em
Santos, São Paulo. De acordo com as investigações do MPF e Polícia Federal, a
referida operação esteve relacionada ainda com a campanha de reeleição do
socialista ao governo do Estado, em 2010.
Os documentos do STF foram
usados pelo desembargador federal Iran Lira de Carvalho, relator da operação
Turbulência no Tribunal Regional da 5ª Região (TRF5), como um dos argumentos
para negar o pedido de soltura do empresário João Carlos Lyra, no começo deste
mês.
De acordo com as informações
do inquérito do STF, o empresário João Carlos Lyra foi reconhecido pelos
ex-empregados da Camargo Corrêa Gilmar Pereira Campos e Wilson da Costa como
sendo a pessoa encarregada de entregar a propina devida por aquela empreiteira
ao ex-governador Eduardo Campos e ao senador Fernando Bezerra Coelho em virtude
das obras da refinaria Abreu e Lima.
No processo do STF, os
investigadores sustentam que esses contratos da Master Terraplenagem teriam
sido constituídos em nome de ‘laranjas’ como o intermediário José Gomes de
Oliveira.
De acordo com os dados do
processo, no STF, na apuração do caso, os engenheiros da construtora foram
inquiridos e admitiram que a Master de fato não executou qualquer serviço para
a Camargo Corrêa.

Eles informaram ao MPF e a
PF que, após os saques realizados da conta da construtora Master pelo
intermediário “Zé Gomes”, o numerário era remetido para João Carlos Lyra Pessoa
de Melo, apontado pela PF de Pernambuco como um dos cabeças do esquema na
Operação Turbulência, com a ajuda da empresa fantasma Câmara e Vasconcelos
Terraplenagem.
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Sobre o Autor

Allyne Ribeiro