Tudo o que você precisa saber sobre H1N1

09/04/2016 13h32
O vírus H1N1 está de volta
– e já causou 75% dos casos de doenças respiratórias registrados no país esse
ano, além de ter sido a causa da morte de mais de 70 pessoas só no Brasil. Todo
ano, a epidemia de gripe retorna, geralmente no inverno. Em 2016, porém, ela
chegou mais cedo, e os médicos ainda não sabem ao certo o porquê. Mas calma,
não é o fim do mundo: basta aprender a se proteger, saber mais sobre as formas
de transmissão e ficar atento aos sintomas para conseguir tratar a doença o
mais rápido possível.
Entenda mais:
Influenza, H1N1, gripe?
qual a diferença?!
Pode parecer confuso, mas
é simples: “Influenza” é como é chamado o vírus da gripe. Só que existem três
tipos: A, B, e C. O Influenza C é a gripe comum, e não causa nada além daquele
mal-estar chato. Já os tipos A e B são mais preocupantes, pois podem causar
epidemias sazonais. A onda de H1N1 é culpa só do tipo A – e por outras
pandemias, como a grupe suína e a aviária.
E por que tanta gente
morre de H1N1, mas não de gripe comum?
Na verdade, dá para morrer
de gripe comum, sim. Mais até do que de Influenza A. De acordo com o Ministério
da Saúde, pelo menos 2 mil pessoas morrem todo ano por causa de complicações da
gripe comum, como pneumonia. A diferença é que o Influenza A é um vírus
relativamente novo, para o qual nosso sistema imunológico ainda não está
preparado. Mas pode ficar tranquilo: a maioria dos casos de H1N1 é benigna, ou
seja, as pessoas, em geral, não morrem disso. Quem tem problemas imunológicos –
como portadores do HIV ou crianças muito novas – corre maior risco, e é por
isso que elas fazem parte dos grupos que recebem a vacina primeiro.
Como a doença é
transmitida?
Sabe quando você esfrega
os olhos para dar aquela acordada no ônibus? Pois é: não faça isso. O H1N1 é
transmitido principalmente pelas mãos – quando você toca em um objeto
contaminado e depois mexe na boca, no nariz ou nos olhos, por exemplo.
Lembre-se: qualquer objeto pode estar contaminado, mas em espaços de grande
circulação pública, as chances de contaminação são ainda maiores. Não à toa,
maçanetas e seguradores de ônibus e metrô são campeões em contágio. O Influenza
A também pode ser transmitido pela tosse, por espirros ou pelo contato com a
saliva de alguém contaminado.
Quais os sintomas?
Uma pessoa com H1N1 tem sintomas
muito parecidos com os da gripe comum: febre alta (acima de 38ºC), calafrios,
tosse violenta, falta de ar, dor de garganta, dores muito fortes pelo corpo,
falta de apetite, vômitos e diarreia. A única diferença em relação à gripe
normal é a intensidade dos sintomas – a gripe H1N1 deixa você bem mais fraco.
Por isso, a recomendação é procurar um médico assim que surgirem os primeiros
sinais da doença, o que pode demorar entre 3 e 5 dias após o contágio.
Posso me vacinar no
sistema público?
A campanha de vacinação
contra a gripe acontece todo ano, no final de abril. Por conta da epidemia
antecipada deste ano, os postos de saúde já começaram a campanha de vacinação –
que vai até o dia 20 de maio. Só que nem todo mundo tem direito à vacina
gratuita, apenas pessoas nos grupos de risco: crianças de 6 meses a 5 anos,
gestantes, idosos, profissionais da saúde, povos indígenas e pacientes com
doenças que comprometam a imunidade. É possível pagar pela vacina, os preços
variam de 70 a 110 reais.
E essa vacina protege
contra o que, exatamente?
Existem duas vacinas: a
trivalente e a tetravalente. A primeira protege contra dois tipos de Influenza
A, entre eles o H1N1, e outro vírus do tipo B. Esta pode ser aplicada em bebês
com mais de 6 meses de idade. Já a tetravalente protege contra tudo isso e mais
um tipo de Influenza B – e pode ser usada somente depois dos 3 anos.
Se eu tomei vacina no ano
passado, preciso tomar esse ano também?
Precisa, sim, porque a
vacina tem validade de 1 ano. Os vírus se adaptam a cada ano, mais ou menos, e
ficam resistentes à vacina antiga.
Existe contraindicação da
vacina?
Existe: se você tem
alergia grave a ovo ou se já teve alguma reação alérgica à própria vacina, a
recomendação é não tomá-la.
E o Tamiflu?
O Tamiflu é um antiviral
que age contra os vírus Influenza. Ele só é indicado nos casos em que realmente
há suspeita de H1N1. Se confirmado, a pessoa precisa tomar esse remédio por uma
semana, duas vezes ao dia. Ele é distribuído de graça pelo governo, mas também
pode ser encontrado em farmácias.
Não quero pegar H1N1. Como
é que eu faço?
De novo: evite passar as
mãos na boca, olhos e nariz. Tente lavar as mãos sempre, com água e sabão ou
álcool gel, principalmente quando chegar da rua. O Ministério da Saúde também
recomenda que apertos de mão, abraços e muita proximidade sejam evitados nessa
época de grandes chances de contágio. Manter uma alimentação saudável e ter o
sono em dia também são ações que ajudam a manter a imunidade lá no alto.

Fonte: Super Interessante

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro