Ganhou força o plano de alguns senadores de retirar o Bolsa Família do teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas à inflação.

A medida pode ser aprovada dentro de um dispositivo da PEC emergencial, que recria o coronavoucher e estabelece gatilhos para conter gastos públicos

O texto da PEC, relatado pelo senador Márcio Bittar (MDB-AC), será votado pelo Senado nesta quarta-feira (3).

Se o dispositivo for aprovado com mudança no Bolsa Família, será uma derrota ao ministro Paulo Guedes (Economia).

O mercado financeiro se assustou com a ideia. O dólar estava em alta de 1,2%, a R$ 5,73 às 15h55. O Ibovespa registrava queda de 2,9%, aos 108.314 pontos no mesmo horário.

Os investidores avaliam que, se o Bolsa Família ficar fora do teto, está aberta a primeira brecha para furar ainda mais a regra fiscal. Só com a possibilidade de mudança, houve aumento na percepção de risco inflacionário e aumento na taxa de juros futuros.

O líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA), disse que há uma série de emendas que buscam desidratar ainda mais a PEC. Os partidos da oposição estão se organizando para tentar formar uma maioria a favor dessas mudanças. Para eles, as medidas de ajuste fiscal devem ficar para outro momento.

Com esse entendimento entre os senadores, cada vez mais abre-se caminho para autorização de aumentos do Bolsa família e a aprovação mais rápida do novo auxílio emergencial, bem como, possíveis prorrogações mesmo que isso fira o limite de gastos do governo.

Douglas Rodrigues e Mateus Maia