Revista mostra registros de pagamento a Gilmar Mendes pelo mensalão do PSDB

27/03/2016 14h50
A Revista Carta Capital
que chegou às bancas de jornais de São Paulo na tarde desta sexta-feira (27)
tumultuará todo o ambiente que vem sendo milimetricamente preparado para o
julgamento do famoso caso do Mensalão. Ela apresenta documentos que indicariam
que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, quando era
Advogado Geral da União (AGU), em 1998, teria recebido R$ 185 mil do chamado
Mensalão do PSDB, que foi administrado pelo publicitário Marcos Valério.
Em um trabalho do
jornalista Maurício Dias, a revista obteve o que seria a contabilidade paralela
da campanha do atual senador Eduardo Azeredo, em 1998, quando ele concorreu à
reeleição ao governo de Minas Gerais. As folhas, encadernadas, levam a
assinatura de Valério. Alguns dos documentos têm firma reconhecida. No total,
esta contabilidade administrou R$ 104,3 milhões. Houve um saldo positivo de R$
69,53. A reportagem teve a contribuição também do repórter Leandro Fortes, que
foi a Minas Gerais.
Nesta contabilidade também
aparece a captação de recursos via empréstimos do Banco Rural, tal como
aconteceu no chamado Mensalão do PT. Mas não foi o único banco a emprestar
dinheiro para a campanha do tucano. Também contribuíram o BEMGE, Credireal,
Comig, Copasa e a Loteria Mineira. No total, via empréstimos bancários, foram
captados R$ 4,5 milhões, valor um pouco maior do que o registro da mais alta
doação individual, feita pela Usiminas. Ela, através do próprio Eduardo Azeredo
e do vice governador Walfrido Mares Guia, doou R$ 4.288.097. O banco
Opportunity, através de seu dono, Daniel Dantas, e da diretora Helena Landau,
pelos registros, doou R$ 460 mil.

As dez primeiras páginas
do documento apresentam os doadores para a campanha. As demais 16 páginas
relacionam as saídas de recursos. O registro em nome de Gilmar Ferreira Mendes
surge na página 17. Procurado através da assessoria de imprensa do Supremo
Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes não retornou ao Jornal do Brasil.

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro