Resultados em fetos com microcefalia indicam infeccção por zika vírus

17/11/2015 14h20
Resultados preliminares de exames feitos em
dois fetos com microcefalia trazem fortes indícios de que houve infecção por
zika vírus, apurou o Estado. Os testes foram feitos a partir da análise de
líquido amniótico de dois bebês de Campina Grande. O material foi coletado pela
neuropediatra Adriana Melo, que vem acompanhando desde o início do surto casos
de paciente com a malformação. A análise foi feita no Laboratório da Fiocruz,
do Rio.
A confirmação do resultado é aguardada para
esta terça-feira, quando o Ministério da Saúde deve apresentar números
atualizados do surto. Até sexta-feira, haviam sido contabilizados pelo menos
250 casos da doença nos Estados de Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte,
Paraíba e Piauí.
Questionado sobre a análise da Fiocruz, o
Ministério da Saúde não confirmou a informação. Afirmou em nota não haver
análises finalizadas e que qualquer conclusão neste momento é precipitada
“Todas as hipóteses serão minuciosamente avaliadas para não se incorrer em
erro”, informou a pasta. Para alguns especialistas ouvidos pelo Estado,
seria necessário a avaliação de um número maior de exames para poder fazer com
segurança uma conexão entre a infecção do zika vírus e o aumento de casos de
microcefalia. Dois exames em meio a um grande número de pacientes não seriam
suficientes.
O aumento de microcefalia nos Estados do
Nordeste começou a ser notado em agosto. Em Pernambuco, o número de nascimentos
contabilizados este ano é 15 vezes maior do que a média anual registrada no
período 2010-2014. Exames preliminares feitos nas gestantes e nos bebês não
indicou, até agora, uma forte relação entre a microcefalia e infecções que
tradicionalmente provocam esse tipo de malformação, como toxoplasmose,
citomegalovírus. Pesquisadores começaram a levantar a hipótese de relação com o
zika vírus diante dos relatos das gestantes.
Boa parte delas informou ter apresentado
febre baixa, coceiras e vermelhidão (sintomas clássicos de zika) nos primeiros
meses de gravidez. Tais manifestações ocorreram justamente no período em que
Estados do Nordeste enfrentavam epidemia por zika vírus – um arbovírus,
transmitido pela picada do mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti. Mostras de
sangue das gestantes e dos bebês com microcefalia – um malformação até agora
rara, que pode levar à deficiência mental, crises de epilepsia, problemas de
coordenação, audição e visão – tentam identificar as causas da doença.

Até agora, a maior dificuldade dos
pesquisadores era encontrar traços de algum agente infeccioso que poderia ter
levado à malformação. Isso porque o contato com vírus teria ocorrido há vários
meses. Os exames realizados buscam identificar fragmentos do DNA do vírus, um
exame trabalhoso. Fonte: Jc Oline

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Allyne Ribeiro