Professora esfaqueada por aluno em Mato Grosso se diz revoltada: ‘A troco de nada

Por - 19/06/2015
A professora Adelair
Santos Amaral, de 45 anos, ferida nas costas com um golpe de canivete por um
aluno de 14 anos em sala de aula, declarou estar revoltada e assustada com o
fato. “Sofri uma agressão dessa por nada, a troco de nada. Não consigo entender
até agora porque isso ocorreu. Estou triste, chateada e não paro de pensar
naquele dia”, declarou. Ela recebeu alta no dia seguinte.
De acordo com a
professora, não foi necessário realizar cirurgia, mas a perfuração quase
atingiu o pulmão. Agora, Adelair ficará afastada das atividades escolares por
30 dias para a recuperação.
Ela conta que foi atacada
pelo aluno logo depois do intervalo. Os estudantes retornavam para a sala de
aula e, no momento em que foi fechar a porta, levou o golpe. “Foi muito rápido.
Senti que tinha sido atingida e me virei para os alunos. Ele [adolescente]
ainda tentou me dar um chute depois da facada”, relatou.
A professora disse que
pediu para o aluno parar de agredi-la e perguntou o motivo que o levava fazer
aquilo. “Ele começou a dizer: você não mexeu comigo? Não tomou minha caneta?
Então, foi por isso”. Adelair conta que nesse momento se recordou de uma
situação que havia ocorrido no último ano, quando também deu aula para o
adolescente e acabou pegando uma caneta de suas mãos porque ele estava jogando
papéis em outros alunos.
“O aluno estava bagunçando
e incomodando os colegas . Ele colocava pedaço de papel na caneta e assoprava
contra os estudantes. Chamei a atenção, porque estava atrapalhando a aula e
joguei a caneta no lixo. O menino disse que estava com raiva de mim desde o ano
passado e por isso tinha me atingido com o canivete”, explicou.
Ela ressalta que não teve
problemas com o adolescente neste ano e que mesmo com notas baixas e pouco
participativo nas aulas ela não chamava a atenção dele.
A educadora também observa
que o aluno não era agressivo e que não demonstrou arrependimento pelo que fez.
“Ele parecia tão irritado, tão frio. Guardou essa situação que ocorreu ano
passado para me atacar. Em nenhum momento parecia arrependido ou assustado com
o que fez”, desabou. Mesmo abalada e aterrorizada, ela pretende voltar a dar
aula. Ela tem 25 anos de profissão e essa foi a primeira vez que foi alvo de
agressão.
A motivação, segundo ela,
é o amor pela profissão e a certeza de que tudo ainda pode ser diferente. “Sei
que pela maioria, vale a pena voltar. Não vou abandonar os meus alunos e
retornarei de cabeça erguida. Eu gosto do que faço, é o que sempre quis, e vou
mostrar para os estudantes que ficaram que o caminho não é esse. Que nós
merecemos respeito”, pontuou.

O adolescente de 14 anos
foi apreendido pela Polícia Militar, ainda dentro da sala de aula, por ato
infracional de lesão corporal. Ele foi levado para a delegacia e liberado na
terça-feira (16) por falta de vaga em unidades socioeducativas de Mato Grosso,
conforme a Polícia Civil.
G1