sábado, outubro 23, 2021
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Procurador Janor pede virada histórica e nova representação política

O procurador-geral da
República Rodrigo Janot disse, nesta segunda-feira (27), durante discurso no
qual cobrou engajamento da população em favor da Lava Jato, que movimentações
de políticos tentam frear as investigações da operação. Ele afirmou que o
Ministério Público “não se sujeitará à condescendência criminosa” em favor de
uma” pseudo estabilidade destinada a poucos”. Janot defendeu que é preciso
“quebrar os grilhões do patrimonialismo” e comparou a resistência ao avanço da
Lava Jato no meio político às dificuldades para abolição da escravatura no
país, há 130 anos. O procurador disse também que, desde as manifestações de rua
em 2013, a sociedade está “sedenta por uma virada histórica”, pelo fim da
impunidade.
Para Janot, a operação
revelou que políticos e empresários transformaram “o Estado em um clube para
desfrute de poucos”. “Algumas vozes reverberam o passado e ensaiam a troca do
combate à corrupção por uma pseudo estabilidade, a exclusiva estabilidade
destinada a poucos. Não nos sujeitaremos à condescendência criminosa: não é
isso que o Brasil quer, não é disso que o país precisa”, afirmou o
procurador-geral na abertura de um seminário que vai discutir os grandes casos
criminais do Brasil e da Itália.
“Chegou a hora de quebrarmos
também os grilhões do patrimonialismo, de nos libertarmos de um modo de ser que
não nos pertence, daquele malfadado jeitinho associado à corrupção da lei que
não traduz nossa verdadeira natureza. É hora de nos desvencilharmos da cultura
de espoliação e do egoísmo. O país fartou-se desse modelo político”,
complementou.
Segundo ele, “temos hoje um
déficit de representação política. Um descompasso entre o que quer o eleitor e
o que faz o seu representante”. “Não chegaremos ao fim dessa jornada pelos
caminhos do Ministério Público ou do Judiciário. Esses são peças coadjuvantes
no processo de transformação e de aprofundamento dos valores republicanos. A
Lava Jato, por si só, não salvará o Brasil, nem promoverá a evolução do nosso
processo civilizatório. Para tanto, é indispensável a força incontrastável da
cidadania vigilante e ativa”, afirmou.
Na avaliação do
procurador-geral, o sistema eleitoral está “falido”. “Lava Jato desvelou, como
nunca, o sistema de favores mútuos entre políticos, partidos e empresários, que
mais do que locupletar os seus sócios, frauda a democracia representativa,
conspurca os valores republicanos e transforma o Estado em um clube exclusivo
para desfrute de poucos, mas penosamente custeado por todos os brasileiros. É
hora de nos desvencilharmos da cultura de espoliação e do egoísmo. O país
fartou-se desse modelo político”, disse.
Abaixo a matéria da Agência
Brasil:
“Lava Jato por si só não
salvará o Brasil”, diz Janot
O procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, disse hoje (27) que a Operação Lava Jato não “salvará
o Brasil” da corrupção sem partipação popular. Janot participou no início da
noite da abertura de um seminário sobre grandes casos de corrupção julgados no
país e na Itália.
No discurso de abertura, o
procurador disse que a Lava Jato é a “maior e mais profunda” investigação de
combate à corrupção da história do país. No entanto, segundo o procurador, o
fim dos desvios de dinheiro público não depende somente dos procuradores e dos
juízes.
“Não chegaremos ao fim dessa
jornada pelos caminhos do Ministério Público ou do Judiciário. Esses são peças
coadjuvantes no processo de transformação e de aprofundamento dos valores
republicanos. A Lava Jato, por si só, não salvará o Brasil, nem promoverá a
evolução do nosso processo civilizatório”, disse Janot.
No discurso, o
procurador-geral também disse que existe atualmente no Brasil um ambiente
favorável ao fim da impunidade e que retrocessos não serão tolerados pelo Ministério
Público.

“Hoje, algumas vozes
reverberam o passado e ensaiam a troca do combate à corrupção por uma
pseudoestabilidade, a exclusiva estabilidade destinada a poucos. Não nos
sujeitaremos à condescendência criminosa: não é isso que o Brasil quer, não é
disso que o país precisa”, disse.
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