Primeira cena de sexo entre homens na novela brasileira é marcada por delicadeza e nudez parcial

13/07/2016 14h11
O capítulo desta terça-feira
de Liberdade, liberdade fez história na teledramaturgia brasileira. Foi ao ar a
primeira cena de sexo entre dois homens no gênero televisivo. Os atores Caio
Blat e Ricardo Pereira estrelaram o momento. Com delicadeza e sem sexo
explícito, a cena mostrou nu traseiro, troca de carícias, beijos e abraços. No
momento, André visita Tolentino para consolá-lo, por ter sido humilhado pelo
intendente Rubião (Mateus Solano) devido à fuga de Mão de Luva. “Meu único
amigo é você, André. Um homem sensível. São coisas que a vida nos
reserva”, diz Tolentino. “Você disse que todos nós temos uma segunda
natureza, que às vezes permanece oculta”, complementa. “Mas não para
sempre”, responde André. É quando eles se beijam após longos encontros e
desencontros, tiram as roupas, se abraçam, deitam…
A expectativa para a
primeira cena gay da teledramaturgia brasileira movimentou a internet e a
audiência de Liberdade, liberdade. No capítulo de segunda-feira, a novela de
Mário Teixeira registrou média de 26,6 pontos em São Paulo, a maior audiência
desde a estreia. Os bastidores da cena foram marcados por emoção. A entrega dos
atores Caio Blat e Ricardo Pereira contribuíram para isso. O diretor Vinicius
Coimbra optou por restringir o número de pessoas da equipe no set de filmagens,
prática adotada em cenas delicadas ou momentos decisivos de produções. A
gravação durou duas horas e teve o aval do diretor de Teledramaturgia da Globo,
Silvio de Abreu, no processo de edição.
Assim que a Globo anunciou a
cena, internautas conservadores criaram campanha de boicote à cena, o que gerou
fortes posicionamentos do elenco, autor e diretor da novela. “O amor que
existe ali é lindo e traz muito do que a novela defende: a luta contra o
preconceito, contra a intolerância e pela igualdade entre todas as
pessoas”, defendeu Ricardo Tolentino. O ator Mateus Solano também se
posicionou: “Amor x Igreja… Até quando?”.
Nos capítulos seguintes

Tolentino trairá André ao
ser pressionado por Rubião (Mateus Solano). Gironda (Hanna Romanazzi)
denunciará a relação de André com Tolentino. O coronel se arrependerá da
relação sexual, e passará a viver com Gironda. “Vi um homem com outro. Um
efeminado, um fanchono! Cometendo um crime! O pecado da pederastia! Tendo
relac%u0327o%u0303es”, acusa a personagem. Na época, a homossexualidade
era considerada crime, passível de enforcamento. André acaba condenado a forca.
Para salvá-lo, Tolentino matará Gironda, já que a morte do fidalgo depende do
desaparecimento da prostituta.
Por: Viver/Diario – Diario de Pernambuco
Por: Fernanda Guerra – Diario de Pernambuco

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro