Plano do governo para salvar Dilma envolve quase R$ 50 bilhões

28/03/2016 14h12
O governo federal quer esquecer o ajuste fiscal e
liberar investimentos, emendas e acelerar a nomeação de cargos para tentar
fidelizar a base de apoio na Câmara e impedir o impeachment da presidente Dilma
Rousseff. PSD, PTB, PR, PDT e PP, legendas rebeldes, comandam, juntas, um
orçamento de R$ 49,4 bilhões em seus ministérios. Somadas, as respectivas
bancadas totalizam 160 deputados.
A conta é fria: o apoio de cada deputado destes
partidos significa um desembolso de R$ 308,7 milhões por parlamentar.  Essa conta não inclui, obviamente, o PMDB e
seus sete ministérios, pois a legenda vive a expectativa de poder com Michel
Temer. Nem tampouco PT e PCdoB, legendas fechadas contra o afastamento da
presidente.

O governo precisa, de fato, abrir o cofre. Para onde o
Planalto se vira, há problemas. Na comissão do impeachment, que analisa neste
momento o processo de afastamento da presidente, o governo tem, garantido, 32
dos 65 votos, uma conta na risca, já que o presidente do colegiado, Rogério
Rosso (PSD-DF) só vota se houver empate.
No plenário da Câmara, para barrar o processo de
impeachment, o Planalto e seus articuladores calculam contar com 150 votos
cristalizados. São necessários, ao menos, 171, para impedir o afastamento
precoce de Dilma. A matemática tem sido cruel para os governistas. A estimativa
é de que haja uma margem de 50 a 60 deputados ainda indecisos, maleáveis a
possíveis argumentos. Na prática, isso significa que 90% dos 513 deputados já
se decidiram pela permanência ou afastamento da presidente.
“Para respirar aliviada, Dilma teria de ter uma margem
de 200 a 220 votos cristalizados, para evitar os riscos de uma votação aberta.
Essa é a base aliada que persegue desde que foi reeleita em 2014 e que jamais
conseguiu”, admitiu, desolado, um petista bom de conta ao jornal Correio
Braziliense. “Se formos para o plenário com 150 apoios, esse número despenca para
100. Mas se chegarmos com 200, podemos crescer para os 220. É o efeito manada”,
disse o mesmo estrategista.

O cálculo de um defensor do
impeachment é cruel para o Planalto. “Se eu disser que defendo a Dilma, hoje,
nas ruas, eu apanho”, admitiu ele, não se sabe se utilizando linguagem figurada
ou concreta. Mesmo que ele compre a briga, a batalha não renderá dividendos
políticos. “Quem hoje defende a Dilma vota no PT, no PCdoB ou está nos
movimentos sociais. Não é meu eleitorado. Ou seja, ser contra o impeachment não
me dá um voto a mais e ainda afasta aqueles que me elegeram em 2014”, disse um
parlamentar, pedindo anonimato. (Via: Correio Braziliense)

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Allyne Ribeiro