PERNAMBUCO TEM 83% DE ÁREA COM EXTREMA SECA

Por - 03/08/2016
O cenário é descrito como
difícil pelos especialistas e sentido na pele pela população. Pernambuco tem
83% do território com seca extrema, afirma o Monitor Mensal de Secas do
Nordeste, divulgado pela Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). A pior
estiagem dos últimos 50 anos levou 66% dos reservatórios de Pernambuco ao
colapso, impôs um racionamento que em algumas cidades chega a apenas um dia por
mês de águas na torneiras e modificou o cronograma de obras hídricas.

A pior situação é no
Agreste, onde 69 municípios estão em situação de emergência, segundo decreto
publicado ontem no Diário Oficial. Ao todo, são 125 cidades em emergência. O documento
divulgado ontem atualizou a lista e retirou Correntes, pois segundo a Casa
Militar a cidade “está em processo de reconhecimento e em análise”. Desde 2012,
chove abaixo da média no estado. No primeiro semestre deste ano, choveu 34%
abaixo da média na região Agreste. A consequência foi a intensificação de um
rodízio nos municípios da região como não ocorria desde antes da construção do
reservatório de Jucazinho, no fim da década de 1990. A barragem, cuja
capacidade é 5,5 vezes a de Pirapama, hoje está com apenas 0,3% da capacidade.
A previsão é de que, até outubro, ela fique completamente sem volume.
“No Sertão há cidades que
são abastecidas por adutoras que tiram água do Rio São Francisco, mas no
Agreste a situação é mais complicada. Quase toda as barragens estão em
colapso”, afirmou o gerente de meteorologia e mudanças climáticas da Apac,
Patrice Oliveira. “No Agreste não tem grandes barragens, água de subsolo e
grandes rios”, explica o presidente da Compesa, Roberto Tavares.
Hoje, são 54 reservatórios
em colapso em Pernambuco. Jucazinho já poderia ter secado, estimam os
especialistas, desde o fim de 2014. Desde o ano anterior, em função da seca,
foram feitas realocações de municípios como Caruaru, Gravatá e Bezerros para
garantir o funcionamento do reservatório.
As ações emergenciais ao
longo desses anos incluíram o carro-pipa como única fonte de água em 14 cidades
e reforço de abastecimento em outras 35. Isso gera um custo mensal à Companhia
Pernambucana de Saneamento (Compesa) de R$ 1,7 milhão. Os sistemas
meteorológicos que proporcionam chuvas já deixaram de agir em Pernambuco e,
partir deste mês, não há mais previsões de precipitações significativas capazes
de reverter ou melhorar o quadro. Com isso, a estimativa da Compesa é de que,
até o fim deste ano, sejam necessários 400 caminhões-pipa, em contraposição aos
250 usados hoje, para garantir o abastecimento. Isso gerará um custo mensal de
R$ 2,8 milhões.
Além das ações
emergenciais, foram iniciadas obras estruturantes para conectar água do Sertão
até a Zona da Mata. A adutora do Agreste, cuja entrega atrasou em decorrência
da redução nos repasses federais nos últimos dois anos, teve a obra retomada na
semana passada. Com ela, haverá um sistema integrado de 1,3 mil km no Agreste.
A obra do Ramal do Agreste, que ligará o eixo-leste da transposição do São
Francisco à adutora, tem previsão de início ainda neste ano, mas o prazo de
conclusão é de três anos. Enquanto isso, será antecipada a conexão da adutora e
com a transposição, a partir de um conjunto de outras intervenções locais, como
alternativa ao funcionamento da adutora.
A ideia é trazer água da
Mata Sul e da Mata Norte para o Agreste. Da Mata Sul, está em andamento a obra
da adutora do Pirangi, cuja previsão de entrega daqui a seis meses. Da Mata
Norte, a obra da adutora do Siriji terá o projeto pronto nos próximos 30 dias.
Ela se integrará ao sistema Palmeirinha. E nele, está em execução uma obra para
fazer a integração ao sistema Jucazinho. Em Tupanatinga, também estão sendo
perfurados poços para fazer a integração. Outra adutora a fazer parte da
ligação, a do Moxotó, ficará pronta em até um ano.
As obras foram pensadas
prevendo o período cíclico de secas e também o crescimento da população pelos
próximos 30 anos. “Teremos flexibilidade operacional para manejar a água com
mais facilidade diante de secas que ainda virão e, segundo as previsões,
poderão ser mais intensas. É o maior volume de obras estruturantes que a gente
já viu”, garantiu Roberto Tavares.
A aceleração da entrega
dessas estruturas depende, porém, de verba repassadas pelo governo federal.
Neste ano, dos R$ 800 milhões que poderiam ser gastos pela Compesa, será
possível viabilizar apenas a metade. “Existe uma estratégia montada para o
Agreste, que depende em parte dos repasses do Ministério da Integração Nacional
para a adutora, mas estamos articulando outras fontes”, concluiu o presidente
da Compesa. (Fonte: DP Notícias)