Neymar se lesiona porque apanha ou se arrisca demais provocando. Neymar volta de lesão provocando com dribles. Alguns produtivos, outros para humilhar. É condenado pela cultura europeia e tenta desafiá-la. É perseguido por rivais, mal visto pelos árbitros. Cria um clima de tensão permanente que gera mais pancadas. E lesões. E expulsões, porque cansa de apanhar e revida. Principalmente quando as coisas em campo para o seu time não vão bem.

Fora dos gramados, a vida agitada nas redes sociais. Também provocando, respondendo, se expondo. Mas com a convicção que ninguém tem nada a ver com a suas decisões. Seja de aglomerar em uma pandemia ou festejar com amigos quando o foco deveria ser a recuperação de mais uma lesão para voltar logo ao time do clube que paga seu salário milionário. E se a crítica justa vem, ele se acha injustiçado e qualquer vitória no campo é motivo para a resposta indignada. Que não gera nenhum aprendizado.

Quem ainda não se cansou desse ciclo vicioso de Neymar?

O brasileiro foi expulso nos acréscimos da derrota do Paris Saint-Germain para o Lille. No Parc des Princes, jogo que valia a liderança da Ligue 1. Seria a primeira partida completa do camisa dez depois de dois meses, novamente por lesão. Primeiro amarelo porque se irritou com a marcação dura e atingiu o rosto do adversário com a mão. Depois empurrou Djaló para fora do campo enquanto tentava pegar a bola das mãos do oponente e foi novamente punido. A 11ª expulsão na carreira.

Nas redes sociais, uma ou outra defesa do talento, da vontade de driblar e dar espetáculo. Na imprensa europeia, críticas duras. A “France Football” foi implacável: “Seu comportamento era terrível. Enfrentando o Lille, em encontro crucial para o título de campeão da França, Neymar tinha 13 anos. A maturidade de um júnior e a imprudência tática da criança que faz apenas o que lhe agrada”, declarou a tradicional publicação. Um breve resumo da trajetória do “menino Ney”, que ano que vem faz 30 anos. No Brasil que ainda tenta levar Neymar a sério, as pessoas estão preocupadas em sobreviver ao agravamento da pandemia. Muito por conta da péssima gestão do governo federal, apoiado publicamente por Neymar, a mando do pai, fã incondicional do Presidente da República. Outro que vê a popularidade derreter, mesmo com admiradores que relevam todos os seus erros e alimentam a irresponsabilidade. Talvez Neymar se identifique mesmo com Jair. Ou nem se importe, já que o que vale é a “ousadia e alegria”. Ou as vistas grossas da Receita Federal…

Você já leu neste espaço que Neymar é o melhor jogador brasileiro pós-Pelé, mas não o maior. E dificilmente terá grandeza. Ainda que elimine o Bayern de Munique ou vença a Liga dos Campeões. Até a Copa do Mundo pela seleção brasileira. Porque ninguém leva mais a sério, nem acredita em uma maturidade tardia. Cada vez menos gente se importa de fato, mesmo com milhões de seguidores nas redes.

Neymar segue o triste caminho sem volta para a irrelevância. Um enorme desperdício de talento e carisma.

André Rocha / Colunista do UOL