O exuense Odilon Oliveira terá sua vida contada em filme

19/02/2016 16h46
“Em Nome da
Lei”, baseado na vida do juiz Odilon Oliveira, tem estreia prevista para o
início de 2016; Bela Vista foi palco de “A Curva do Rio Sujo”, com
Cauã Reymond.
Bela Vista e Dourados,
duas cidades de Mato Grosso do Sul – a primeira delas bem ao lado da fronteira
com o Paraguai – foram cenários de dois longas gravados em 2015 no Estado. As
gravações trouxeram para cá três dos atores mais badalados do momento – Cauã
Raymond, Mateus Solano e Paola Oliveira.
Em Dourados, as gravações
de “Em Nome da Lei”, longa-metragem inspirado na trajetória do juiz
federal Odilon de Oliveira, ocorreram entre março e maio. Cenas do filme foram
rodadas no Clube Samambaia, onde foi montado o cenário do Fórum, num escritório
de contabilidade na Rua João Rosa Góes, em residências, em um hotel desativado
na Avenida Guaicurus e na Feira Livre da Rua Cuiabá, transformada em fronteira.
Durante dois meses,
equipes da produção, da parte técnica e os próprios atores conviveram com
moradores da segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul. Foram a festas, boates
e bares e até participaram de comemorações em família com figurantes do filme.
Paola e grande elenco –
Paola Oliveira interpreta a promotora Marines, que na ficção vive um romance
com o juiz Vítor, seu aliado no combate ao crime organizado. Além dela, fazem
parte do elenco Chico Díaz, Emílio Dantas, Juliana Lohmann, Roberto Brindelli,
Rômulo Estrela e Sílvio Guindane. Chico Díaz é Gómez, o chefe do crime. Rômulo
Estrela é o jornalista paulistano que ajuda o juiz Vítor a desmantelar o
império do crime na fronteira.
Apesar de inspirado na
trajetória de Odilon de Oliveira, o filme é uma obra de ficção. “É cinema,
tudo de mentirinha”, disse recentemente a produtora Camila Medina. O juiz
esteve em Dourados durante as gravações para conhecer pessoalmente os atores e
acompanhar um dia de gravações.
Pelo menos 18 atores
douradenses foram selecionados para o elenco, assim como outras 600 pessoas da
cidade que fizeram papel de figurantes. As gravações duraram sete semanas. O
filme será distribuído pela Fox.
Ao todo, 731 pessoas
trabalham nas gravações, segundo a produtora executiva Camila Medina, da Morena
Filmes. Foram contratadas 30 pessoas, entre pintores de cenário, assistentes e
motoristas.
Realidade nua e crua – Com
estreia prevista para o primeiro semestre de 2016, “Em Nome da Lei”
vai trazer para próximo do público uma realidade pouco conhecida dos centros
urbanos brasileiros, abordando a história de um jovem juiz que se utiliza de
todos os recursos para fazer cumprir a lei na fronteira Brasil-Paraguai. Uma
árdua missão que devassa sua vida pessoal, perseguição, paranoia, medo e tensão
por ter sua vida e de sua família ameaçada fazem desse personagem o herói que o
Brasil de hoje quer ver e encontrar naqueles que representam a lei.
Apesar de 100% gravado em
Dourados, “Em Nome da Lei” retrata a fronteira seca do Brasil com o
Paraguai, por onde passa 75% da maconha consumida no país e rota de tráfico de
cocaína, armas e contrabando.
Cauã em cena do filme
rodado em Bela Vista (Foto: Direto das Ruas)
As facetas do crime –
Sérgio Rezende disse que escolheu o juiz Odilon para compor o enredo do filme
para mostrar as facetas do contrabando e do tráfico de drogas na região de
fronteira. “Comecei a ver a história dele e achei uma coisa rica. Essa é
uma questão do Brasil que ganha um calor do público que quer ver um judiciário
ativo, eficaz, honesto. Percebemos isso pelo fato de juízes terem se tornado
heróis brasileiros, como a juíza assassinada no Rio e como o juiz Joaquim
Barbosa no Supremo”, afirmou ele em entrevista coletiva durante as
gravações.
Rezende esteve em Campo
Grande para conversar com o juiz e conhecer os personagens reais da história
que se tornou enredo de filme. “O cinema brasileiro é forte quando conta
histórias brasileiras, não podemos ficar clonando filmes europeus. O que ganha
nas bilheterias são filmes brasileiros, como Carandiru e Cidade de Deus. O
objetivo é mostrar a atuação do judiciário e a questão das fronteiras
brasileiras junto com a tentativa de barrar as drogas. Sabemos que temos um
prejuízo de 100 bilhões com o contrabando”.
Dourados – O diretor
explicou o motivo da escolha de Dourados para as gravações. “Grande parte
do que estamos fazendo aqui poderíamos fazer no Rio de Janeiro, dentro de
estúdios, mas não teria a mesma geografia, essa paisagem física e humana
própria da região. Queria uma cidade menor, tipo filme de faroeste. Será um
filme atraente”.
“É um barato estar
aqui no Estado, a gente recebe um carinho das pessoas, que é excepcional. Meu
personagem Vítor tem uma sede de Justiça muito grande e vai para a fronteira tentar
resolver o problema do contrabando e onde conhece a personagem da Paola, que
também tem essa sede. É muito legal contracenar com uma pessoa com quem já
trabalhou mais de uma vez”, disse Mateus Solano.
Cauã em Bela Vista – A
população de Bela Vista, cidade a 322 km de Campo Grande, na região sudoeste do
Estado e fronteira com o Paraguai, recebeu o ator Cauã Reymond de braços
abertos, em junho de 2015.
Com a cabeça raspada, um
celular na mão para as e selfies e a mente aberta para novos conhecimentos, Cauã
se misturou aos moradores e transformou em visita turística o período em que
esteve na cidade para gravar o longa “A Curva do Rio Sujo”, filme de
Felipe Bragança baseado no livro de contos homônimo de Joca Reiners Terron.
Pouco foi divulgado sobre o filme, que conta a história de um romance entre um
jovem brasileiro e uma moça paraguaia.
Ao contrário do filme
rodado em Dourados, que teve exposição dos atores e até das gravações bem acima
do comum, “A Curva do Rio Sujo” foi feito quase no anonimato. Os
atores não falaram com a imprensa, a produção não liberou imagens dos sets e
até os figurantes mantiveram o segredo.
Além de frequentar a
academia da cidade, andar de bicicleta e enfrentar o assédio das fãs, o ator
esteve na aldeia Pirakuá antes do início das gravações. Depois do contato com a
comunidade, Cauã postou fotos dos guarani-kaiowá, os “muitos sorrisos
lindos” e a imagem de uma garota de aparelho.
A postagem provocou muitos
comentários nas redes sociais, alguns bem preconceituosos, como já era de se
esperar. “Que moderna…índia de aparelho ortodôntico” postou uma
seguidora de Cauã. “Índia usando aparelho. Kiakiakia”, reforçou
outro.
“Como assim de
aparelho? Com toda certeza todos merecemos ter boa saúde digo todos sem
discriminação”, reclamou outra fã.

Durante as gravações, que
duraram 20 dias, Cauã voltou à aldeia para participar das cenas do filme em que
um pistoleiro é contratado para matar o líder da tribo. Usou cocar dos
guarani-kaiowá, almoçou ao lado da equipe técnica sob a sombra de árvores e até
dispensou o dublê em cenas com a motocicleta.
Cauã Reymond em Bela Vista, onde gravou “A Curva do Rio Sujo”, em junho 

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro