Não vejo necessidade de fazer discurso no plenário me defendendo, diz Eduardo Cunha

03/03/2016 21h15
Estadão Conteúdo – O
presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não vê necessidade
de fazer um discurso no plenário da Casa para se defender. A declaração foi uma
resposta ao manifesto da deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ), que, nesta
quinta-feira, 3, fez um discurso em plenário criticando a atitude de Cunha após
se tornar réu, ontem, no âmbito das investigações da Operação Lava Jato.
“Vou fazer discurso para
aqueles que vão continuar me xingando depois? Por que eu vou fazer isso? Não
vejo necessidade”, disse Cunha. O presidente da Câmara acredita que já dá
satisfações à sociedade por meio da imprensa.
“Eu estou no exercício da
presidência, não no mandato de deputado. Os atos que são questionados não
ocorreram enquanto eu era presidente. Se tivessem acontecido, eu explicaria os
atos como eu sempre fiz.”
Mais cedo, Clarissa
Garotinho disse que Cunha “perdeu as condições de presidir a Casa” e que
“deveria descer da cadeira da presidência da Câmara e subir na tribuna como
deputado para se defender”. “Tenha a dignidade de pelo menos se defender. Não é
normal de um ser humano a frieza com que se comporta sentado nessa cadeira de
presidente, fazendo cara de paisagem como se nada estivesse acontecendo. Isso é
um absurdo”, afirmou Clarissa
Nesta quarta-feira, 2, a
maioria dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestou a
favor do recebimento da denúncia contra Cunha. O julgamento será retomado nesta
quinta-feira, mas, se nenhum ministro mudar o seu voto, o peemedebista será o
primeiro dos 38 parlamentares a se tornar réu no âmbito das investigações da
Operação Lava Jato.

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Allyne Ribeiro