Na ONU, Dilma cita “grave momento” no Brasil e diz que país saberá impedir retrocesso

22/04/2016 17h16
Sem citar o termo “golpe”
ou se defender abertamente do processo de impeachment, a presidente Dilma
Rousseff fez uma menção à crise política do Brasil no fim de sua fala na
cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima na sede das
Nações Unidas, em Nova York, Estados Unidos, nesta sexta-feira (22), quando
disse que o país saberá impedir qualquer retrocesso.
“Não posso terminar as
palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. É um grande país, com
uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante
democracia. Nosso povo é trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Não
tenho dúvidas de que saberá impedir quaisquer retrocessos“, declarou a presidente.
No fim, ela se disse “grata” aos líderes que expressaram solidaridade a ela.
A citação à crise política
ocupou o minuto final do discurso de Dilma na ONU, que durou quase nove minutos
e focou no Acordo de Paris.
Nos arredores do prédio
das Nações Unidas, em Nova York, grupos de brasileiros a favor e contra o
impeachment protestaram com faixas e cartazes. Do lado pró-impeachment, o grupo
defendia a saída de Dilma e afirmava que ela cometeu crime de responsabilidade;
do lado contrário, os defensores da presidente alertavam sobre a existência de
um “golpe” no país e também pediram a saída do presidente da Câmara, Eduardo
Cunha.
Foi a primeira viagem de
Dilma ao exterior, deixando a Presidência para Michel Temer (PMDB), desde o
início da crise do impeachment. Nas últimas semanas, a presidente cancelou três
viagens ao exterior por conta do agravamento da crise política em Brasília, que
chegou ao auge com a votação favorável ao encaminhamento do processo de
impeachment da mandatária da Câmara dos Deputados para o Senado, no domingo
(17).
Antes mesmo do evento,
Temer e ministros do Supremo Tribunal Federal revelaram preocupação com a
possibilidade de Dilma abordar o impeachment e classificá-lo como “golpe”.
Políticos da oposição, como o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e os deputados
federais José Carlos Aleluia (DEM-BA) e Luiz Lauro Filho (PSB-SP), foram a Nova
York para rebater o discurso.
Acordo
O acordo global climático
foi assinado na COP-21 (21ª Conferência das Partes) da Convenção-Quadro das
Nações Unidas sobre Mudança do Clima em Paris, em dezembro. Após 13 dias de
debates, representantes de 195 países chegaram, pela primeira vez na história,
a um acordo global sobre o clima.
O Acordo de Paris, como
ficou conhecido, prevê limitar o crescimento da emissão de gases de efeito
estufa e a criação de um fundo global de 100 bilhões de dólares, financiado
pelos países ricos, a partir de 2020, para frear o aquecimento global a 1,5 °C.

“Hoje, 171 países se
reúnem em Nova York para assinar o acordo de Paris. Nunca um número tão grande
de países assinou um acordo internacional em um único dia“, disse o
secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, ao abrir a cerimônia em Nova
York. (fonte: UOL/foto reprodução)

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Allyne Ribeiro