Microcefalia avança em Pernambuco

11/11/2015 14h22

Exames de imagens dos bebês mostram que há lesões que fogem do padrão da microcefalia de caráter genético

O Ambulatório de
Infectologia Pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) tem
recebido de seis a dez recém-nascidos diariamente com microcefalia, condição em
que o tamanho da cabeça é menor do que o normal para a idade. Só na tarde de
ontem, quatro famílias foram até a unidade de saúde na esperança de descobrir o
que pode ter levado os bebês a desenvolverem essa anomalia congênita.

ARTE_MICROCEFALIA_WEBDe agosto até
outubro, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) teve conhecimento de 90
recém-nascidos com microcefalia. E desde 27 de outubro, quando foi instituída a
notificação compulsória imediata dessa anomalia em Pernambuco, a plataforma do
Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde de Pernambuco
(Cievs/PE) já tem cadastrados 141 bebês nascidos este ano com microcefalia. Em
comparação aos últimos anos, esse número é expressivo (de 2011 a 2014, a média
era de nove registros por ano).

“Estamos
empenhados numa investigação criteriosa para identificar possíveis causas da
alteração no padrão de ocorrência de microcefalia no Estado. Os exames de
imagens dos bebês acompanhados mostram que há lesões que fogem do padrão da
microcefalia de caráter genético. Identificamos que existem calcificações no
cérebro dessas crianças, o que sugere uma anomalia de cunho infeccioso”,
explica a pediatra do Huoc Regina Coeli, à frente da investigação
epidemiológica na unidade. O Instituto de Medicina Integral Professor Fernando
Figueira (Imip) é o outro hospital de referência selecionado para o estudo.

O trabalho segue
um protocolo clínico, que foi finalizado ontem para estabelecer critérios de
análise dos novos casos. O documento, de 28 páginas, detalha como deve ser o
atendimento do recém-nascidos com microcefalia, a fim de uniformizar a
investigação. O protocolo, elaborado pela SES e pelo Ministério da Saúde,
define o fluxo de atendimento, o diagnóstico, a vigilância e o acompanhamento
dos bebês. “O passo seguinte é elaborar, em caráter de urgência, um protocolo
para as gestantes que, durante um ultrassom, já receberam a informação de que o
filho apresenta o tamanho da cabeça menor do que o normal para a idade
gestacional”, diz a secretária-executiva de Vigilância em Saúde de Pernambuco,
Luciana Albuquerque. 

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro