Meu caro Governador

14/03/2016 03h39
Por Everaldo Paixão | Blog do Paixão 
Meu caro e excelentíssimo
Governador do Estado de Pernambuco.
Sei que não fui eleitor de
Vossa Excelência nas eleições de 2012, e muito menos o meu sertão castigado
homologou nas urnas o intento de vê-lo como o mandatário estadual. Não quero
acreditar que por capricho ou birra partidária, 
Vossa Excelência feche os olhos para uma cidade infestada pelo mosquito
aedes aegypti (a campeã do sertão), com números alarmantes de casos de zika
vírus e chicungunya que estão deixando de ser notificados porque o governo
municipal não tem gerenciado esta cidade como merece.
Não podemos acreditar que
o senhor, meu caro governador, não esteja sabendo que o ano letivo no município
está sendo mais uma vez sacrificado, pela inoperância administrativa de um
senhor déspota que usa os recursos institucionais do FUNDEB, que são
intocáveis, que seriam destinados com exclusividade para pagamento dos
professores, para outros fins, e não tem uma autoridade sequer, competente, fiscalizadora,
que desafie esse rapaz e sua turma insaciável, a desafiá-lo dentro do que
preconiza a lei.
A Unidade de Pronto
Atendimento, as escolas que já deviam ter sido entregues à população, a
academia da saúde, as unidades de saúde, entre tantas outras que não foram
entregues, não são tão evidentes para o nobre governador, ou a força do
partido, ou outras forças que não sabemos quem está por trás, estão servindo
aos caprichos pessoais do prefeito e da sua dama, que, aliás, por tanta
desordem que tem praticado para os araripinenses, além de ganhar o “Título de
Cidadã Araripinense” também foi contemplada com um belo Cargo de Assessora
Especial do Governo, ainda pode ser premiada novamente com uma cadeira na
ALEPE. É isso que se faz com os seus aliados, que são bonificados com prêmios
por usar o dinheiro do povo em benefício próprio?
E o vice-governador, que
quando perguntei a ele se sabia da situação de Araripina, preferiu dizer que as
palavras tem poder, mas não poupou impropérios para acusar e chamar o partido
do PT, e o Governo Federal de Quadrilha, que, aliás, o seu partido o PMDB ainda
não cortou o cordão umbilical, e está igual uma cobra naja, esperando o momento
certo para dar o bote.
E lá em cima, meu caro
Governador, ninguém fala e ninguém que mover uma palha para saber ou informar o
que diabos aconteceu com a malfadada Operação Paradise, guardada ou arquivada
dentro de uma gaveta porque o Inquérito Policial não é de interesse de muitos
políticos vir à tona,  porque o
emaranhado  é bem mais complicado do que
imaginamos e o saco de batatas está bem mais podre.
Viva meu Pernambuco!
Meu?
As terras dos altos
coqueiros, governador, não pertencem aos seus federados, mas a uma casta ou um
clã de linhagem real, que manda como se aqui fosse uma monarquia, e vejo que
todos nós estamos obedecendo como fieis servos, em pleno século XXI, em plena
revolução tecnológica, manipulados como gados por seus fazendeiros.
E viva o admirável gado,
que tem sido o nosso povo de Araripina. Pacato, manobrado, que esperneia, mas
não reage, que sofre, não vai as ruas protestar e nem grita por liberdade e por
justiça. Para quê?
Terra que agora tem dono e
que ao invés de ter transformado em fonte de inspiração, virou um moradia de
porcos.
Aqui os que não se calam,
são malvistos, os que bajulam são heróis, numa inversão de papel que mais
parece agrado de garoto de aluguel. Araripina tem dono. Manda e desmanda a dama
de ferro, que ordena o cavaleiro (se assim posso dizê-lo) que parece desnorteado
por uma labirintite, e tem transformado a nossa terra na sua senzala
particular, que se acha protegida pelo rei ou senhor,  governador, que tem fechado os olhos para a
nossa amada Araripina.
Abram-se as portas do
Guardião da Justiça, abram-se as portas da esperança, porque estamos parecendo
israelitas presos e dominados por egípcios, que tem outro nome: ARRAES.
Precisamos de um Moisés,
quem sabe seja o senhor, não para nos tirar da nossa terra, mais para livrar o
nosso povo dessa pior praga que Araripina já foi vítima, talvez em proporção
igual às pragas do Egito.
Gostaria muito que o meu
apelo chegasse até o Palácio dos Campos da Princesa.

Araripina agradeceria.

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro