Meta da inflação pode ser ultrapassada em 2016

Por - 23/11/2015
Brasil 247
A projeção de instituições financeiras para a
inflação em 2016 ultrapassou o limite da meta. Na 16ª alta consecutiva, a
estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de
6,50% (teto da meta de inflação) para 6,64%. Essa projeção faz parte de
pesquisa semanal feita pela Banco Central (BC) com instituições financeiras.
Para este ano, a estimativa subiu pela 10ª
vez seguida, ao passar de 10,04% para 10,33%. O BC abandonou o objetivo de
alcançar o centro da meta de inflação (4,5%) em 2016. Devido às indefinições e
alterações na política fiscal do governo, o BC espera que a inflação fique na
meta somente em 2017. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom), o BC diz que as indefinições e alterações significativas na meta
fiscal mudam as expectativas para a inflação e criam uma percepção negativa
sobre o ambiente econômico.
Antes de adiar o objetivo de levar a inflação
ao centro da meta, o Copom elevou a taxa básica de juros, a Selic, por sete
vezes consecutivas. Na reunião de setembro e de outubro, o Copom optou por
manter a Selic em 14,25% ao ano. A expectativa das instituições financeiras
para a última reunião do Copom deste ano, marcada para amanhã e quarta-feira
(25), é de manutenção da Selic no atual patamar.
A taxa é usada nas negociações de títulos
públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como
referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima,
o BC contém o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais
altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
A pesquisa do BC também traz a projeção para
a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna
(IGP-DI), que passou de 10,54% para 10,90%, este ano. Para o Índice Geral de
Preços – Mercado (IGP-M), a estimativa subiu de 10,26% para 10,38%, em 2015. A
estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de
Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) foi alterada de 10,26% para 10,32%, este ano.
A projeção para a alta dos preços
administrados passou de 17% para 17,43%, este ano, e segue em 7%, em 2016.
A inflação alta vem acompanhada de
encolhimento da economia. A projeção para a queda do Produto Interno Bruto
(PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, este ano, chegou a
3,15%, contra 3,10%, previstos na semana passada. Para 2016, a projeção de
retração passou de 2% para 2,01%, no sétimo ajuste consecutivo.
Na avaliação do mercado financeiro, a
produção industrial deve ter uma queda de 7,5%, este ano, e de 2% em 2016.

A projeção para o dólar passou de R$ 3,96
para R$ 3,95, ao final deste ano, e permanece em R$ 4,20, no fim de 2016.