quarta-feira, outubro 20, 2021
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Mercado elabora cenários pós-impeachment

A pouco mais de um mês das
sessões que definirão o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff no
Senado, investidores e analistas preveem cenários sobre quais serão os próximos
passos do governo se confirmada a permanência de Michel Temer na presidência
até o fim de 2018. 

São decisões importantes que levam em conta a capacitada
equipe econômica formada por Temer assim que assumiu interinamente, com
Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda, Ilan Goldfajn na presidência do
Banco Central, além de profissionais reconhecidos em estatais e em secretarias.
As medidas anunciadas nos primeiros dois meses de governo foram interpretadas
como contraditórias. 

O governo propôs atrelar o aumento anual dos gastos à
inflação, mas concordou com medidas que vão na contramão do reequilíbrio
fiscal: o reajuste bilionário nos salários dos servidores federais e a renúncia
de receitas com a renegociação da dívida dos estados. “As medidas de expansão
de gastos aprovadas foram herdadas do governo Dilma. Temer poderia ter brigado
para não ratificar o que foi proposto, mas o mercado sabia que isso teria um
custo político”, afirma Silvio Campos Neto, analista de macroeconomia e
política da consultoria Tendências.

Ele reforça que, por ainda ser interino, o
governo precisa negociar com a base política para garantir apoio no Congresso e
dialogar com a sociedade para aumentar a popularidade. A expectativa do mercado
é que o grande legado da gestão Temer seja a aprovação da reforma da Previdência
e a contenção da trajetória de aumento dos gastos do governo. “O teto dos
gastos não funcionará se não houver uma reforma previdenciária consistente. 

É
provável que essa condição dê maior abertura para o difícil debate de mudanças
nas aposentadorias”, afirma Caio Megale, economista do banco Itaú Unibanco.
“Acredito que a proposta para a limitação dos gastos será aprovada até o fim do
ano. Será o pontapé inicial para outras medidas importantes no campo fiscal”,
diz Maurício Molan, economista-chefe do banco Santander. “Será uma peça em cima
da outra, como se fossem ‘building blocks’”, compara. 

Sergio Vale,
economista-chefe da consultoria MB Associados, diz que, dadas as resistências,
a discussão para a aprovação da reforma da Previdência pode se estender até 2018,  mas que o país não tem alternativa. “As duas
medidas (a reforma da Previdência e a proposta para colocar um teto no gasto)
são a bala de prata do governo. Sem elas, o preço a se pagar no longo prazo
será o aumento da carga tributária, juros mais altos e mais inflação. Por mais
impopulares que sejam, terão que ser aprovadas para que o país não afunde de
vez nos próximos anos”, afirma Vale. 

Megale diz que a postura dos profissionais
que compõem a equipe econômica sugere a disposição para discutir outras
reformas, como a tributária e a trabalhista, mas que a prioridade do governo
será garantir que as contas públicas voltem a ser sustentáveis no médio e longo
prazo. Leia também:

Mercado reduz previsão de
queda do PIB e da inflação O aumento de alíquotas de impostos e a criação de
tributos, como a CPMF, não estão descartados, apesar de o governo dizer que
essa será a última alternativa para recompor as receitas. “Prevemos um aumento
de até 15 centavos na Cide (contribuição que incide sobre o preço dos
combustíveis)”, afirma Campos Neto, da Tendências. 

discurso da nova equipe
econômica, as concessões e as privatizações serão prioridade: o governo prevê que
pode obter 55 bilhões de reais de receitas extraordinárias. “Não é possível
saber qual será o tamanho do pacote de privatizações nem o fluxo de
investimentos para o país, mas há um esforço claro do governo neste sentido”,
reconhece Celson Plácido, estrategista-chefe da corretora XP Investimentos.
Plácido pondera que as reformas mais importantes, que farão diferença na
contenção de despesas ao longo dos próximos anos, dependem da aprovação do
Congresso e que, por isso, o cenário é bastante incerto.

O calendário também
complica a vida do governo, já que o recesso parlamentar, a Olimpíada do Rio, a
votação do impeachment e as eleições municipais devem ocupar a pauta política
até o final do ano. “As medidas terão que vir no começo de 2017 e com caráter
de urgência”, afirma.

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