quarta-feira, outubro 20, 2021
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Marcos Valério vai entregar ’20 nomes’, avisa defesa


Do Estadão l política l Foto: Celso Junior/AE

Em mais uma tentativa de
fechar um acordo de delação premiada, o operador do mensalão Marcos Valério
entregou na semana passada ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais uma
proposta de colaboração para revelar novos detalhes sobre os escândalos do mensalão
do PSDB e do PT .
O advogado Jean Robert
Kobayashi Júnior, escalado para negociar a proposta, afirma que Valério deve
entregar cerca de 20 nomes, incluindo parlamentares com foro privilegiado de
diversos partidos, e nomes envolvidos nos escândalos investigados na Lava Jato,
a quem a defesa de Valério encaminhou uma proposta de colaboração no ano
passado.

Há três anos preso na
região metropolitana de Belo Horizonte, Valério pegou a maior pena entre os
condenados no histórico julgamento do STF e cumpre 37 anos de prisão por
corrupção ativa, peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A
interlocutores, ele tem dito que “cansou de apanhar” e que “agora vai começar a
bater”. Valério está na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, onde
trabalha  para descontar dias de sua
pena.
A expectativa dele era de
conseguir ir para o regime semiaberto em um ano e meio, mas ele ainda está
prestes a ser julgado por envolvimento no mensalão mineiro, pela Justiça
estadual, e também já foi alvo de uma denúncia da Lava Jato perante o juiz
Sérgio Moro, em Curitiba, o que pode, na prática, impedir que ele deixe o
regime fechado. Seu interrogatório na ação penal que responde no mensalão
mineiro está marcado para o dia 1 de julho.
Diante disso, no ano
passado, a defesa de Valério, sob responsabilidade do criminalista Marcelo
Leonardo, encaminhou uma proposta de delação à força-tarefa da Lava Jato em
Curitiba, que avalia os termos. Agora, com um advogado somente para a negociar
a colaboração, o operador do mensalão promete contar mais detalhes também sobre
o esquema operado por ele que financiou o caixa dois da campanha à reeleição do
ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 1998 e que pode
também ter envolvido outras pessoas e políticos na década de 1990. Como o
mensalão mineiro é investigado pela Justiça Estadual, essa nova proposta foi
encaminhada ao Ministério Público do Estado.
A lei que define as
organizações criminosas (12.850, de 2013) estabelece que a colaboração com a
Justiça pode ser feita a qualquer tempo e independe de uma condenação anterior,
desde que a colaboração resulte em resultados como a identificação de coautores
e partícipes da organização criminosa e dos crimes; revelação da estrutura
hierárquica e da divisão de tarefas da organização, entre outros.
Marcelo Leonardo continua
a defender Marcos Valério nas ações penais e informou que não iria comentar
sobre as eventuais tratativas de delação de seu cliente. O Ministério Público
de Minas Gerais confirmou que recebeu proposta de delação, e avalia se o
operador do mensalão pode trazer fatos novos para as investigações.
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