Lula perde, ninguém ganha

Por - 27/10/2015
Ninguém tem mais rejeição do
que Lula da Silva. Ninguém tem mais eleitores cativos do que Lula da Silva. Com
o impeachment de Dilma Rousseff cada dia menos iminente, o foco da disputa
política volta a ser 2018. Pesquisa inédita do Ibope mostra por que o fantasma
de um terceiro mandato do ex-presidente continua assombrando a oposição. As
crises política e econômica estão enfraquecendo o petista, mas ninguém está
faturando com isso.
Entre 17 e 21 de outubro, o
Ibope pesquisou o potencial de voto de alguns dos principais personagens
políticos que podem vir a disputar a sucessão de Dilma daqui a três anos.
Quando falta tanto tempo assim para a eleição, esse tipo de sondagem é mais
significativo do que medir a simples intenção de voto – porque mostra não
apenas a presença de cada nome na memória do eleitor, mas também sua força e
limites, além do seu desconhecimento.
Pergunta-se, sobre cada um
dos potenciais candidatos, qual frase mais bem descreve o que o eleitor pensa a
respeito daquele nome: se votaria nele com certeza para a Presidência da
República, se poderia votar, se não votaria de jeito nenhum ou se não o conhece
o suficiente para opinar. Há quem não responda.
Além de Lula, foram testados
os nomes de Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra (todos do PSDB), de
Marina Silva (Rede) e de Ciro Gomes (PDT). Um mesmo eleitor pode dizer que
votaria com certeza em mais de um candidato ou que não votaria em nenhum deles.
Por isso, as taxas não somam 100%. As questões entraram na pesquisa mensal do
Ibope e foram bancadas pelo instituto.
Eis as principais
conclusões:
1) Os que dizem que não
votariam de jeito nenhum em Lula pularam de 33% em maio de 2014 para 55% agora.
É a maior rejeição entre todos os nomes testados. Se a eleição fosse hoje,
tornaria muito difícil a vitória do petista num segundo turno. Porém, isso
depende não apenas de como a política e a Lava Jato vão evoluir até 2018, como
contra quem se daria essa eventual disputa. A decisão de voto no segundo turno
é sempre por comparação.
2) Cresceu menos, mas também
cresceu a taxa dos que não votariam de jeito nenhum em Aécio (de 42% para 47%
em um ano), em Marina (de 31% para surpreendentes 50% em um ano), e em Serra
(de 47% para 54% em dois anos). Não há comparativo, mas a rejeição a Alckmin e
a Ciro é igualmente alta: 52% para ambos.
3) O crescimento
generalizado da rejeição mostra que o desgaste de Lula, embora maior do que o
dos demais, não está sendo capitalizado por ninguém. Ao contrário, uma fatia
crescente do eleitorado demonstra desprezo por todos os políticos, inclusive
por aqueles que, como Marina, pretendem simbolizar renovação. Isso aumenta a
incerteza e abre espaço para surpresas em 2018.
4) Apesar de decadente, a
taxa de eleitores que dizem que votariam com certeza em Lula ainda é maior do
que a de todos os seus rivais: 23% (era 33% em maio de 2014). Em segundo lugar
aparece Aécio com 15%, seguido de perto por Marina, com 11%. Serra tem 8%,
Alckmin tem 7% e Ciro, 4%. A despeito do desgaste, o petista ainda tem o maior
poder de mobilização entre todas as lideranças avaliadas. Seria insuficiente
para elegê-lo, mas é o bastante para influir no resultado de qualquer eleição.
5) Aécio (42%), Lula (41%) e
Marina (39%) empatam tecnicamente em potencial de voto – a soma de eleitores
que votariam neles com certeza ou poderiam votar. O trio se destaca por seus
nomes estarem mais frescos na memória do eleitor: Aécio e Marina participaram
da eleição presidencial de 2014, e Lula foi presidente duas vezes. Serra e
Alckmin têm potencial equivalente: 32% e 30%, respectivamente. Ciro tem 20%.

6) Ciro é o mais
desconhecido, por 24% dos eleitores. Alckmin também tem taxa alta de
desconhecimento: 19%. Aécio (9%), Marina (10%) e Serra (11%) se equivalem. Só
2% não conhecem Lula.