Do Blog do Everaldo Paixão para nosso site – Aqui inúmeras histórias serão contadas, narradas, e revividas dentro de um passado tão distante que chega a ser um futuro constante na mente dos que viveram e vivem até hoje as memórias da nossa querida Araripina.

Talvez eu não seja a pessoa mais indicada para falar de uma tradição tão antiga e centenária como os aviamentos, que eram locais onde o processo de transformação da mandioca em farinha, era realizado de forma manual e rudimentar. Mas eu sou um saudosista contador de histórias, principalmente das coisas do meu sertão e da minha terra, e sempre nas minhas visitas de trabalho encontro um desses equipamentos, até mesmo já desprezado, faço o registro porque não mais existirão, e já tem os dias contados para quem sabe virar apenas um espaço inutilizado.

As Casas de Farinha, os antigos aviamentos, agora são locais estruturados em sua maioria, obedecendo às normas sanitárias e ambientais, seguindo um glossário que deve ser obedecido rigorosamente com um Fluxograma do Processo Produtivo, que vai desde a recepção de raízes, lavagem, descascamento, trituração, prensagem, peneiramento, torração, resfriamento, envase, cuidados com os instrumentos manuseados pelos trabalhadores, uma sacaria, enfim, uma série de exigências nem tão cumpridas em sua totalidade.

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Agora no moderníssimo sistema de produção de farinha de mandioca vai de encontro ao velho esquema do lançamento dos resíduos sólidos e efluentes gerados pela produção de farinha que eram depositados diretamente no solo, e isso, como testemunhas, presenciamos no ano de 2009/2010 na localidade conhecida como Vila Serrânia, que pertence ao município de Araripina, um desastre ambiental que foi preciso providências urgentes e necessárias das autoridades ambientais de Pernambuco, mesmo sabendo que a força motriz da economia daquela gente, dependia daquela atividade.

Não existia um Sistema de Tratamento de Efluentes como lagoas de decantação e de estabilização, agora são normas estabelecidas no Manual de Boas Práticas de Fabricação e exigências da legislação tanto ambiental como sanitária.

Os custos são altos e não necessariamente o produtor de farinha de mandioca precisa se adaptar ao Sistema Convencional (de custo elevado), mas ele pode atualmente implementar regras do Sistema Simplificado (de baixo custo) e seguir racionalmente as normas exigidas, ampliando métodos para reutilização da manipueira e das cinzas produzidas. Basta ter criatividade, evitar o desperdício e ficar de bem com o ambiente.

As BPF incluem desde a construção do prédio até os cuidados operacionais. Elas determinam que a área de fabricação deve ser considerada “área limpa”, e para tanto deve ter pisos e paredes lisas, laváveis, com ausência ou com poucas juntas para facilitar a limpeza diária e evitar que pequenas sujeiras que incrustem nas mesmas, passem despercebidas ou tornem de difícil remoção. As janelas e outras aberturas devem ser teladas, evitando, assim, a entrada de insetos e roedores. Os tanques e áreas úmidas devem permitir o escoamento dos efluentes para tubulações que irão transportá-los para as lagoas de tratamento.

Se você deseja saber tudo sobre o funcionamento correto de uma casa de farinha, acesse o Manual de Boas Práticas de Fabricação AQUI

Mas que dar uma saudade danada dos velhos aviamentos da tapioca de goma de mandioca, das noitadas de torração.

E para terminar aproveitei uma parte da história do Manual de Boas Práticas de Casa de Farinha, para contar pra vocês:

O Futuro chega ao passado

A fabricação de farinha é uma atividade centenária no nordeste. No Brasil, vem desde o período colonial, quando o cultivo da mandioca sempre foi praticado a partir de pequenas roças que supriam a alimentação dos trabalhadores de cana-de-açúcar.

Da raiz da mandioca extrai-se a farinha, também conhecida como “farinha de pau”, por se originar de raízes longas.

Até a próxima história.