quarta-feira, outubro 20, 2021
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Força-tarefa da Lava Jato prepara três denúncias contra Lula

Com o retorno das
investigações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o juiz Sergio
Moro, decidido pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, a
força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba finaliza um pacote de até três
denúncias contra Lula por crimes descobertos no petrolão. A força-tarefa afirma
possuir provas para denunciar Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro
por favores recebidos das empreiteiras Odebrecht e OAS e do pecuarista José
Carlos Bumlai pelo sítio em Atibaia, pelo aluguel de contêineres para o
transporte de acervo de Lula de Brasília para o sítio e pela reserva do
apartamento tríplex de Guarujá.
Os procuradores da
República já veem razões para formular acusações criminais contra o
ex-presidente pelos três atos distintos. Embora ainda em discussão, é pouco provável
a apresentação de uma só denúncia contra Lula, pois haveria excesso de
testemunhas e maior lentidão no julgamento. Cada ato de corrupção passiva e de
lavagem de dinheiro implica, respectivamente, em três anos e dois anos de
prisão. Por isso, na hipótese mais otimista, o Ministério Público pode pedir
que Lula seja condenado a pelo menos 15 anos de prisão. Outras acusações
criminais também estão em análise, em vista do material apreendido na Operação
Aletheia, deflagrada no dia 4 de março contra o ex-presidente, aliados e
familiares. Há outros favores de empreiteiras em investigação.
Adquirido por dois amigos
e sócios de Fábio Luís da Silva, filho de Lula, o sítio de Atibaia foi
reformado com mão de obra das empreiteiras Odebrecht e OAS. O Instituto Lula já
negou inúmeras vezes que o local seja propriedade de Lula; afirma que o
presidente apenas o frequenta. Em fevereiro, ÉPOCA mostrou que Lula foi 111
vezes ao sítio em quatro anos. O apartamento tríplex em Guarujá foi construído
pela Bancoop, a cooperativa do Sindicato dos Bancários, que quebrou. Assumido
pela OAS, o imóvel foi reservado e reformado ao gosto de Lula e sua família. Em
meio à Operação Lava Jato, Lula desistiu de ficar com o imóvel.
Mais de um mês após o
afastamento de Dilma, o ministro Teori decidiu que, por Lula não ter mais foro
privilegiado, as denúncias contra ele deveriam voltar à primeira instância – no
caso, a cargo do juiz Sergio Moro. Teori ainda não decidiu, no entanto, o
destino do processo no qual Lula já foi denunciado como mandante da compra de
silêncio de Nestor Cerveró. Por enquanto, a ação se mantém no Supremo. Lula
deve responder ainda por participação ou chefia da organização criminosa do
petrolão.

Fonte: Época
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