Enquanto isso… Proximidade da guilhotina afasta o PT de Dilma

05/08/2016 13h55
Nada mais comum do que
confundir convivência com amizade. Sobretudo no caso de Dilma Rousseff, cujo
convívio com o PT decorria mais de uma imposição de Lula do que de afinidades
genuínas. A proximidade da guilhotina trouxe à tona a verdade. O PT toma
distância de Dilma porque sempre foi para ela um grupo de amigos todo feito de
inimigos.
Rui Falcão, presidente do
PT, informou que a legenda não apoiará, por inviável, a proposta de realização
de um plebiscito sobre a antecipação das eleições presidenciais. Peça de
resistência da carta que Dilma prometeu divulgar aos brasileiros, o plebiscito
entra na retória de Falcão no rol dos “artifícios para tentar enganar quem não
vai ser enganado”.
Reunida num instante em
que Dilma é encaminhada para o patíbulo, a cúpula do petismo se absteve de sair
em defesa de madame. “Já era previsível” que a comissão de impeachment do
Senado aprovasse relatório pró-deposição, disse Falcão para justificar o
silêncio da Executiva do PT.
No momento, o PT tem uma
prioridade mais urgente do que Dilma. Organiza o lançamento de uma publicação
em defesa de Lula, que tem Sérgio Moro a perscrutar-lhe os calcanhares de
vidro. Sem Dilma, o PT sobrevive. Sem Lula, a legenda perde a alma.

Dilma é, hoje, um fardo
para o PT. E vice versa. Por sorte, a votação do impeachment no Senado é
aberta. Se o voto fosse secreto, muitos petistas talvez votassem a favor da
lâmina. Para a maioria dos seus companheiros, Dilma soou oportunista quando
disse num par de entrevistas que o PT precisa fazer uma autocrítica por ter
adotado práticas da política tradicional. (Fonte: Josias de Souza)

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Allyne Ribeiro