Empresário foragido da Operação Turbulência é encontrado morto

23/06/2016 03h41
Corpo do empresário Paulo
César Morato foi encontrado em motel, em Olinda (Foto: Bruno Marinho/G1)
O empresário Paulo Cesar de
Barros Morato foi encontrado morto na noite desta quarta-feira (22), em um
motel no bairro de Sapucaia, em Olinda, Região Metropolitana do Recife, de
acordo com a Polícia Federal. Morato era considerado foragido pela PF desde a
terça-feira (21), quando foi deflagrada a Operação Turbulência.

“Quem vai cuidar da
investigação por enquanto é a Polícia Civil. Mas já foi designado um policial
federal para acompanhar os trabalhos da perícia. Se for constatado que as
circunstâncias da morte têm ligação com a Operação Turbulência, aí Polícia
Federal pode entrar nas investigações”, afirmou o assessor de comunicação
da PF, Giovani Santoro.
Paulo César Morato (Foto:
Divulgação/Polícia Federal)
Ainda não se sabe a causa da
morte de Morato. A viatura do Instituto de Medicina Legal (IML) saiu do motel
com o corpo do empresário às 22h40. A delegada Gleide Ângelo segue no local.
Procurada pelo G1, a advogada do empresário, Marcela Moreira Lopes, afirmou que
ele já havia tentado suicídio anteriormente.
Um policial civil que
participa da ocorrência e prefere não ser identificado contou aoG1 que o
empresário deu entrada sozinho no motel na terça-feira (21), por volta das
12h30, e que o corpo não tinha marcas de violência. A polícia foi acionada às
19h desta quarta. Foi encontrado dinheiro no quarto do empresário, mas o valor
ainda não foi quantificado pela polícia.
Na terça-feira, os policiais
federais prenderam quatro pessoas – Eduardo Freire Bezerra Leite, Arthur
Roberto Lapa Rosal e Apolo Santana Vieira, João Carlos Lyra Pessoa Filho. O
operação investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro,
que pode ter financiado a campanha política do ex-governador Eduardo Campos,
morto em 2014. Nesta quarta-feira, o G1 teve acesso ao inquérito, que aponta
que Campos e o senador Fernando Bezerra Coelho receberam propina do dono do
avião, João Carlos Lyra Pessoa de Melo.
De acordo com o Ministério
Público Federal (MPF), Morato era o “verdadeiro responsável pela empresa Câmara
& Vasconcelos Locação e Terraplanagem LTDA”. Segundo o inquérito da PF, por
meio desta e outras pessoas jurídicas, Morato teria “aportado recursos para a
compra da aeronave PR-AFA (que caiu com Campos, em 2014) e recebido recursos
milionários provenientes de empresas de fachada utilizadas nos esquemas de
lavagem de dinheiro, engendrados por Alberto Yousseff e Rodrigo Morales e
Roberto Trombeta, além de provenientes da construtora OAS”.
A Câmara & Vasconcelos é
apontada pelo inquérito como a empresa que recebe da OAS o montante de R$
18.858.978,16. O documento afirma que “chama a atenção” o repasse de
recursos milionários de quase R$ 19 milhões para “uma empresa fantasma, a
qual possui ‘laranjas’ confessos em sua composição societária, o que representa
um claro indicativo de lavagem de dinheiro”.
A operação teve início com
investigaçõessobre a compra do avião, logo após o acidente que matou Campos e
outras seis pessoas, mas chegou a um esquema de lavagem de dinheiro que teria
movimentado até R$ 600 milhões, segundo a PF.
Esse montante seria
alimentado por recursos de propinas e usado por firmas de fachada e sócios
“laranjas” para fazer a lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal investiga,
agora, a relação entre essas empresas citadas na Turbulência e grupos já
envolvidos na Operação Lava Jato e em investigações que estão no Supremo
Tribunal Federal (STF).
A operação prendeu na
terça-feira quatro empresários suspeitos de integrar a organização criminosa e
se beneficiar dela – João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, Eduardo Freire
Bezerra Leite, Arthur Roberto Lapa Rosal e Apolo Santana Vieira.
A PF recolheu em casas e
escritórios, alvos de mandados de busca e apreensão durante a operação, sete
automóveis de alto luxo, 45 relógios de marcas internacionais famosas, além de
R$ 3,6 milhões, dólares, revólveres e uma espingarda.Também foram apreendidos
dois barcos, dois helicópteros e um avião.
G1

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro