“Este país não tem governo”. A afirmação foi feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu pronunciamento à imprensa nesta quarta-feira (10/3). Após decisão do ministro do STF, Edson Fachin, que o tornou novamente elegível, Lula criticou criteriosamente os atos do presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia contra o novo coronavírus e disse que as quase 270 mil mortes poderiam ter sido minimizadas se o atual mandatário tivesse feito “o elementar”.

Lula revelou que deverá ser vacinado na semana que vem e não se importa com a origem do imunizante nem se será necessário tomar uma ou duas doses. “Na semana que vem vou tomar minha vacina e vou fazer propaganda para o Brasil. Não siga nenhuma ordem imbecil do presidente da República”, disse ele ao atacar o posicionamento negacionista de Bolsonaro.

“Muitas das mortes poderiam ser evitadas se o governo tivesse feito o elementar. Governar é a arte de tomar decisão. Um presidente que respeitasse o país teria criado um comitê de crise, envolvendo representantes dos estados, cientistas, e toda semana orientar a sociedade brasileira sobre o que fazer. Era preciso comprar vacinas de qualquer lugar do planeta Terra. A própria Pfizer ofereceu doses e o governo não aceitou. Ficou inventando o uso de cloroquina, dizendo que a covid-19 era uma gripezinha e que ele não seria afetado por ter histórico de atleta”, disparou.

Para o petista, um comitê de crise seria capaz de evitar a falta de oxigênio em Manaus e em outras cidades brasileiras. O erro do governo, segundo ele, deu-se porque Bolsonaro não sabe ser presidente. “A vida inteira ele não foi nada. Era do Exército e se aposentou. Depois disso, não fez mais nada, foi vereador e depois deputado por 32 anos. E conseguiu passar para a sociedade a ideia de que ele não era político”, disse.

Lula também criticou a propagação de fake news — prática que, segundo ele, ajudou a eleger Donald Trump, nos EUA, e o próprio Jair Bolsonaro, no Brasil. Ele revelou que se sentiu aliviado quando ouviu dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, “a verdade”. 

Ele também criticou a imprensa na cobertura do seu caso e afirmou que os jornalistas têm o dever de escrever a verdade. “É por isso que precisamos de uma imprensa livre. A ideologia do jornal, revista, deve ser colocada no cantinho como editorial. Mas vocês jornalistas precisam ser livres e seu compromisso é escrever o que disseram a vocês, não o que o editor quer”, comentou o político.

Lula citou, ainda, que enquanto era investigado, um advogado se ofereceu para defender seu caso por R$ 3 milhões — oferta que ele afirmou ter recusado. “Se eu pagasse, confirmaria que sou ladrão. Onde eu ia arrumar esse dinheiro para pagar ao advogado?”

Moro

Quando citou Sérgio Moro, o petista chamou o ex-juiz de “maior mentiroso da história do Brasil” e disse acreditar que o lava-jatista está sofrendo mais agora do que ele sofreu enquanto estava preso. “Ele não pode se tornar o maior mentiroso da história do Brasil e ser considerado herói por alguns. Eu tenho certeza que Moro está sofrendo hoje muito mais do que eu sofri. Porque eles sabem o que fizeram”, pontuou.

Israel Medeiros