Em depoimento à PF, Lula disse ser vítima de ‘sacanagem homérica’

14/03/2016 16h25
Do Estadão Conteúdo
Em depoimento à Polícia
Federal no dia 4 de março, data em que foi conduzido de forma coercitiva na
Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou da
investigação do Ministério Público de São Paulo que apura o caso tríplex.

Os promotores Cássio
Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Araújo sustentam que o
apartamento 164-A, no Condomínio Solaris, no Guarujá, é de Lula. O ex-presidente
foi denunciado por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica pelos promotores,
que também pediram sua prisão preventiva.
Na parte final do
depoimento, o delegado da PF cita o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto,
ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop).
O tríplex que seria de Lula faz parte de uma lista de imóveis da Bancoop,
adquiridos pela empreiteira OAS.
“Está ótimo. Eu
espero que quando terminar isso aqui alguém peça desculpas. Alguém fale:
‘Desculpa, pelo amor de Deus, foi um engano'”, afirmou Lula. À Polícia
Federal, o ex-presidente reclamou ainda da intimação feita à ex-primeira-dama
Marisa Leticia. A mulher do petista foi convocada para prestar depoimento no
caso tríplex.
“Porque, é o
seguinte, eu tenho uma história de vida, eu tenho uma história de vida, a minha
mulher com 11 anos de idade já trabalhava de empregada doméstica e minha mulher
prestar um depoimento sobre uma porra de um apartamento que não é nosso?! Manda
a mulher do procurador vir prestar depoimento, a mãe dele. Por que que vai
minha mulher?”, questionou Lula.
Em outro trecho do
depoimento, o petista desabafou. “Eu acho que eu estou participando do
caso mais complicado da história jurídica do Brasil, porque tenho um
apartamento que não é meu, eu não paguei, estou querendo receber o dinheiro que
eu paguei, um procurador disse que é meu, a revista Veja diz que é meu, a Folha
diz que é meu, a Polícia Federal inventa a história do tríplex que foi uma
sacanagem homérica, inventa história de tríplex, inventa a história de uma
off­shore do Panamá que veio pra cá, que tinha vendido o prédio, toda uma
história pra tentar me ligar à Lava Jato (…), porque foi essa a história do
tríplex.
E continuou: “Ou
seja, aí passado alguns dias descobrem que a empresa off­shore não era dona do
tríplex, que dizem que é meu, mas era dona do tríplex da Globo, era dono do
helicóptero da Globo. Aí desaparece o noticiário da empresa de off­shore. A
empresária panamenha é solta rapidamente (…) porque não era dona do Solaris
que dizem que é do Lula, ela é dona do Solaris que dizem que é do Roberto
Marinho, lá em Paraty. E desapareceu do noticiário”.
“E eu fico aqui que
nem um babaca respondendo coisas de um procurador, que não deve estar de boa
fé, quando pega a revista Veja a pedido de um Deputado do PSDB do Acre e faz
uma denúncia. Então eu não posso me conformar. Como cidadão brasileiro, eu não
posso me conformar com esse gesto de leviandade”, disse o ex-presidente.

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Allyne Ribeiro