Divisão do PSDB se acirra em meio à crise

28/03/2016 13h00
Estadão Conteúdo –
Principal partido de oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff, o PSDB
chega ao momento decisivo do processo de impeachment no Congresso assombrado
pelo espectro da divisão interna e pelos desdobramentos da Operação Lava Jato,
além de estar seriamente ameaçado de perder o protagonismo na disputa contra a
petista.
Enquanto os senadores
Aécio Neves (MG), presidente do partido, e José Serra (SP) disputam o
protagonismo da transição (e reeditam a antiga rivalidade), o governador de São
Paulo, Geraldo Alckmin, explodiu as pontes com os caciques tucanos de São
Paulo, Estado que é o berço político e a principal base do PSDB.
Serra é o principal canal
de comunicação do PSDB com o vice-presidente Michel Temer (PMDB). O tucano
paulista tem defendido a ajuda do partido a um eventual governo do peemedebista.
Mas Aécio apresenta resistência. O senador mineiro, no entanto, vem sendo
citado em novas delações da Lava Jato e terá de se dedicar nos próximos dias a
elaborar sua defesa, deixando um pouco de lado as articulações políticas.
Na semana passada, Aécio
disse que o PSDB não deve discutir cargos com Temer e recomendou cautela ao
partido. O problema para os tucanos é que o impeachment avança e o PSDB começa
a perder espaço no processo para as alas rebeldes do PMDB, para o DEM e para o
PPS.
“Aécio precisa ser
cuidadoso com o que fala, pois é presidente do partido”, afirmou o ex-deputado
José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, braço de elaboração
teórica do PSDB. “Quando se agrava a situação, as lideranças precisam ampliar o
foco”, conclui. O “foco” ao qual ele se refere são as pretensões eleitorais dos
dois rivais internos: o Palácio do Planalto em 2018.

É nesse ponto que entra o
terceiro elemento de instabilidade no ninho tucano. A decisão de Alckmin de
patrocinar politicamente a pré-candidatura do empresário João Doria à
Prefeitura de São Paulo foi uma declaração de guerra aberta ao grupo de Serra e
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que apoiaram o vereador Andrea
Matarazzo nas prévias do partido.

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Allyne Ribeiro