Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu arrives to deliver a statement to the media in his residency in Jerusalem February 28, 2019. REUTERS/ Ronen Zvulun


As embaixadas de Israel pelo mundo talvez tenham que trocar em breve o retrato do primeiro-ministro. Há dez anos, a foto nas paredes é a de Benjamin Netanyahu. Mas, a partir de 2019, o sorriso emoldurado pode passar a ser de outro Benjamin: o Benny Gantz, líder da lista Azul e Branco, de centro-esquerda, que recebeu mais votos do que o Likud de Netanyahu.
A possibilidade de que Gantz substitua Netanyahu aumentou depois que a Lista Unida, que representa a minoria árabe-israelense (20% dos cidadãos do país), o indicou como premiê ao presidente Reuven Rivlin. Desde 1992, quando Yitzhak Rabin foi eleito como líder do Partido Trabalhista, a liderança árabe de Israel não indicava um líder judeu para montar o governo. Mas quem é esse potencial novo premiê?

Benny Gantz, 60 anos, é um general da reserva que serviu como chefe Estado-Maior das Forças Armadas entre 2011 e 2015. Ele nasceu em 1959 no moshav (cooperativa agrícola) Kfar Achim, perto de Ashkelon, no Sul de Israel, filho de uma sobrevivente do Holocausto húngara e um imigrante romeno. Estudou em um internato em Ramat Hasharon, cidade de classe média alta próxima de Tel Aviv, e se formou em História pela Universidade de Tel Aviv. Tem dois mestrados: em Ciências Políticas pela Universidade de Haifa e em Gestão de Recursos Nacionais pela National Defense University, dos Estados Unidos.

Casado com Revital, ele é pai de quatro filhos e mora em Rosh HaAyin, cidade de classe média com 50 mil moradores a 30km de Tel Aviv. Alto (tem 1,95m) e de poucas palavras, não costuma fazer discursos populistas ou estrelar vídeos em redes sociais. É conhecidamente lacônico a avesso aos holofotes. Nesse sentido, é a antítese de Netanyahu, um carismático e populista líder que sabe como poucos, em Israel, “manipular as massas”.

Gantz entrou para o exército aos 18 anos para uma carreira militar de 38 anos. Primeiro, foi paraquedista. Participou, como boa parte dos jovens de sua geração, da Guerra do Líbano (1982-2000). Em 1991, comandou Operação Salomão, de retirada-relâmpago de 14.500 judeus da Etíopia com destino a Israel. Já como oficial, em 1994, comandou a divisão da Cisjordânia. Em 2000, participou da retirada das tropas israelenses do Sul do Líbano. Foi adido militar de Israel nos EUA entre 2005 a 2009.

Em 2011, foi nomeado chefe do exército, mas não sem antes se envolver em um mini-escândalo quando o jornal “Israel Hoje” (pró-Netanyahu) descobriu que ele havia incorporado ao jardim de sua casa um pedaço de propriedade pública. Ele admitiu o erro e diminuiu o jardim. A única outra vez estrelou em manchetes jurídicas foi em fevereiro deste ano, quando uma mulher o acusou de tê-la assediado, há 40 anos. Gantz afirmou que se tratava de perseguição política e acionou a acusadora por difamação.

CONTEÚDO: INSTITUTO ISRAEL BRASIL