Dilma diz que impeachment sem base legal é ‘golpe’ e garante Lula no governo

24/03/2016 23h14
Estadão Conteúdo – Em
entrevista a correspondentes estrangeiros em Brasília, a presidente Dilma
Rousseff disse, de acordo com o jornal El País, da Espanha, que o processo de
impeachment que tramita contra ela no Congresso é antidemocrático e disse que o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai fazer parte do governo, na Casa
Civil ou como assessor.
“Nós tivemos golpes de
Estado militares em nossa história. Em um sistema democrático, estes golpes
mudam de modo. Cada regime tem o seu tipo de golpe. A Constituição garante
direitos e em um golpe você subverte esses direitos e perverte a ordem
democrática. E isso é perigoso. Sem base legal, este processo é um golpe contra
a democracia. E as consequências disso não as sabemos, porque não temos a
capacidade de prever o futuro”, disse Dilma.
A presidente defendeu
também que o processo de impeachment “está baseado em algo legalmente muito
débil”. A petista voltou a negar veementemente que irá renunciar ao cargo.
“Pedem que eu renuncie para evitar o peso de tirar de forma ilegal, indevida e
criminal uma presidenta eleita. Pensam que devo estar muito afetada, que devo
estar completamente desestruturada, muito pressionada. Mas não estou assim, não
sou assim.”
Dilma também atacou o
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Para evitar que a Câmara o
investigasse, ele quis negociar com o governo: se nós não votássemos contra
essa investigação, colocaria em marcha o processo. Cunha foi denunciado pela
Procuradoria-Geral da República porque encontraram cinco contras dele na Suíça.
Não sou eu quem diz isso: é a Procuradoria-Geral da República.”

Em relação à polêmica
nomeação de Lula ao cargo de chefe da Casa Civil, Dilma disse que os opositores
querem criar um problema onde não há. “O que se passa é que Lula iria
fortalecer meu governo e os partidários do ‘quanto pior, melhor’ não querem que
isso aconteça. A história é que estamos tentando que ele venha. Agora, lhes
digo uma coisa: ou ele vem como ministro ou como um assessor, de uma maneira ou
de outra. Vamos trazê-lo para ajudar o governo. Não há nenhuma maneira de
impedi-lo”, disse Dilma. O El País informa que a entrevista completa será
divulgada nesta sexta-feira.

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Allyne Ribeiro