‘Demos voto de confiança à polícia, mas está acabando’ diz pai de Beatriz

10/03/2016 03h16
Os pais da menina Beatriz Angélica Mota, de 7
anos, assassinada a facadas no dia 10 de dezembro de 2015, durante uma festa no
colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco,
concederam, nesta quarta-feira (9), uma entrevista coletiva para falar sobre o
caso. O professor de inglês Sandro Romilton e Lúcia Mota aproveitaram a ocasião
para cobrar mais agilidade das autoridades em relação ao andamento das
investigações.

Um dia antes de completar
três meses do assassinato de Beatriz, Sandro explicou porque só agora resolveu
se pronunciar e justificou o silêncio e a ausência da família nas
manifestações.“Nos primeiros 60 dias, nós não estávamos em condições físicas e
mentais de poder participar, cobrar, porque foi muito injusto, foi muito cruel
conosco tudo o que aconteceu. Não só pelo fato de perder uma filha, mas pela
situação que foi. Além de sentir uma dor, ter que raciocinar quais seriam os
próximos passos, o que deveria fazer”, relatou.
Em relação as investigações, Sandro enfatizou que a
partir de agora cobrará justiça de forma mais eficaz, destacando que avisou ao
delegado responsável pelo caso, Marceone Ferreira, que aumentaria o tom das
cobranças.
“É inadmissível tanto tempo assim e não ter dado
nenhuma resposta para a gente, para a sociedade. Tudo bem que as investigações
ocorrem em sigilo, tem o segredo de polícia, mas para o pai e uma mãe que não
entende o que se passou com a filha, é desesperador”, lamenta o professor.
Sandro espera te uma conversa com o governador do
Estado de Pernambuco, Paulo Câmara, para que alguns pontos sejam esclarecidos.
“A gente fica em uma angústia incalculável. A polícia de Pernambuco não
nos deve favor, eles têm a obrigação de resolver esse caso. Seja o que for, doa
a quem doer, custe o que custar, nós queremos essa resposta para ontem. O
delegado nos pediu paciência, nós demos um voto de confiança a polícia, mas
está acabando”, falou o pai.
“Gente, alguém viu alguma coisa. É impossível que uma
daquelas três mil pessoas não tenha visto algo. Eu participei de todas as
comemorações dos meus filhos na escola. Aquele bebedouro não é algo escondido.
É extremamente movimentado, principalmente pelas crianças. Do lado do bebedouro
tem um parque, ali é uma passagem. O local escolhido não foi por acaso, tem um
porquê. E temos a obrigação de questionar o poder público e judiciário por
respostas”, afirmou a mãe de Beatriz.
Apesar do sigilo, Sandro
quer que algumas informações sejam repassadas. “Queremos saber quem está
contribuindo com o caso, quem não está contribuindo, o que dificultou, quais os
erros de abordagem no início das investigações, quais os suspeitos”.
O professor lamenta ainda
o fato da cena do crime não tenha sido preservada. “Se a escola tivesse sido
interditada no primeiro momento, se a cena do crime tivesse sido preservada,
seria diferente. Porque o que aconteceu lá, foi que na hora que aconteceu,
todos os que estavam presentes, as irmãs, as coordenadoras, os pais de alunos e
estudantes foram embora. As pessoas da rua que entraram. Poluíram a cena do
crime. Policiais despreparados. Não interrogaram ninguém. Se a escola tivesse
sido interditada, se tivéssemos o apoio da instituição, estaríamos em outro
caminho”, explica.
Contrariando o que foi
dito pela polícia, de que o retrato falado do suspeito foi finalizado apenas em
Recife, na capital pernambucana, Sandro disse que cerca de 15 dias antes, já
tinha tido acesso ao material.
“Nós já tínhamos contato
com essas imagens anteriores. Foram testemunhas oculares, de acordo com o
delegado Marceone, que viram uma pessoa estranha perto do bebedouro, que
descreveram como seria essa pessoa e foi feito dois retratos falados. Minha
esposa não participou diretamente dessa elaboração. O papel da minha esposa foi
escolher entre uma dessas duas imagens”.
Para ajudar nas
investigações, a família confirmou que mais uma força tarefa de Recife chegou a
Petrolina para trabalhar no caso. “São profissionais da inteligência de
Pernambuco, um delegado e mais quatro acompanhantes, que tem uma dinâmica
diferente, um trato diferente com as coisas. A gente acha que tendo uma visão
diferenciada por outro ângulo possa ser que ajude de alguma maneira”, avaliou
Sandro. Atualmente, 22 pessoas trabalham exclusivamente no caso Beatriz. (fonte:G1 foto/divulgação)

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Allyne Ribeiro