Crise econômica afeta toda cadeia produtiva do Polo Gesseiro e vendas viram pó

Por - 07/10/2015
Crise econômica afeta
setor, que projeta queda de 40% na produção e comercialização neste ano em
comparação a 2014.
Afetada pela crise
econômica e a desaceleração do setor de construção civil, seu principal
consumidor, uma cadeia produtiva importante para Pernambuco já confirma uma
queda de vendas histórica este ano. Trata-se do Polo Gesseiro do Araripe,
produtor de 95% do gesso consumido no Brasil, que deve fechar o ano com queda
de vendas e produção de pelo menos 40% em relação a 2014. Além das perdas
financeiras para os empresários locais, a retração do segmento também
representa a eliminação de quase dois mil postos de trabalho e o encerramento
das atividades de, pelo menos, 5% das mineradoras e indústrias.
Segundo Josias Inojosa,
presidente do Sindicato da Indústria do Gesso de Pernambuco (Sindugesso-PE), o
segmento teve o pior ano desde 2010. “Ano passado, produzimos 7,2 milhões de
toneladas no ano. Em 2015, devemos fechar com 5 milhões”, afirma. Além disso,
já foram fechadas 1,5 mil vagas, de acordo com Inojosa (das 13,9 mil diretas do
polo) fato que deve aumentar nos próximos meses. “A situação é triste porque 95%
das empresas do polo são pequenas e não estão aguentando a crise”, reforça.
Como soluções, o presidente do Sindugesso ressalta que é preciso aumentar a
demanda nacional e investir em exportação para conquistar novos mercados, como
o de Cuba, que precisa de gesso. “Estamos nos preparando para fechar contratos
com a ilha”, completa.
Ariston Pereira, dono da
Engenor, uma das maiores indústrias da região, explica que o aumento das
tarifas de energia elétrica também contribuíram para a situação do polo. “A
energia é uma parte grande da nossa produção porque todo o maquinário usado
precisa de energia elétrica então o aumento tarifário conta muito”, detalha.
Ele acredita que 2016 também será um ano de retração para o segmento. “Como
muitas construtoras estão adiando seus lançamentos ou atrasando as obras neste
ano, vamos sentir essa falta de novas construções ainda mais em 2016, que já
vai começar em ritmo muito lento”, prevê.

Vanda Guedes, gerente da
Gesso Serrolândia, acrescenta que as empresas locais estão adotando medidas
para redução dos gastos com, inclusive, mudanças no horário semanal. “Quem
trabalhava oito, agora trabalha seis. Já houve cortes de vagas aqui também e
sempre estamos trabalhando o desperdício, mas, mesmo assim, nós estamos
perdendo 50% das vendas mensais.
Fonte:DP