Conheça Sérgio Machado, o homem cujas gravações apavoram Brasília

Por - 28/05/2016
Até pouco tempo, o
cearense Sérgio Machado ostentava em seu currículo o “feito” de ser o mais
longevo presidente da história da Transpetro, o braço logístico da Petrobras.
A trajetória de 11 anos e
4 meses no comando da estatal foi interrompida em novembro de 2014, quando ele
pediu licença do cargo após ter seu nome envolvido no escândalo de corrupção da
petroleira, investigado pela Operação Lava Jato. Três meses depois, ele pediu
renúncia.
Hoje, entra para a história
como o homem cujas gravações (e revelações) apavoram Congresso e Palácio do
Planalto.
Nesta terça, o ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki homologou a delação premiada de
Machado. A expectativa é de que os depoimentos apontem detalhes ainda mais
graves sobre os bastidores da corrupção no setor público e privado.
Por ora, diálogos gravados
por ele mesmo já derrubaram um dos principais ministros do governo interino de
Michel Temer (PMDB), o senador Romero Jucá (PMDB), e colocaram o também
peemedebista e presidente do Senado, Renan Calheiros, em maus lençóis – no
mínimo.

De acordo com coluna do
jornalista Lauro Jardim, de O Globo, e segundo sugerem as gravações, Machado
também teria registrado áudios de conversas privadas com o ex-presidente da
República José Sarney, presidente emérito do PMDB e pai de um dos ministros de
Temer.
Dado o conteúdo dos
diálogos revelados até agora e dos contatos do ex-presidente da Transpetro em
Brasília (DF), é de se esperar que mais gente para além de Jucá, Calheiros e
Sarney esteja com a pulga atrás da orelha diante do que pode estar por vir.
Trânsito fácil em Brasília
“Renan, eu fui do PSDB dez
anos, Renan. Não sobra ninguém, Renan”, afirmou Machado durante encontro com
Renan Calheiros, cujo conteúdo foi divulgado nesta quarta-feira pelo jornal
Folha de S. Paulo.
Peemedebista desde 2002, a
carreira política de Machado começou muito antes da indicação de seu partido
para ocupar a presidência da Transpetro em 2003.
Foi no primeiro mandato do
tucano Tasso Jereissati como governador do Ceará, no final da década de 1980,
que o hoje delator da Lava Jato fez seu debute na gestão pública como
secretário de governo. Entre 1991 e 1995, foi deputado federal pelo PSDB. Na
legislatura seguinte (1995 – 2002), assumiu uma cadeira no Senado, onde foi
líder do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Já filiado ao PMDB, foi
derrotado na disputa pelo governo do Ceará em 2002. O apoio à candidatura de
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência e o auxílio de Renan Calheiros,
apontado como seu padrinho político, o conduziram à presidência da subsidiária
da Petrobras no ano seguinte.
Machado deixou a empresa
no final de 2014, depois que a PriceWaterhouseCoopers (PwC), auditora dos
resultados financeiros da Petrobras, ter se recusado a aprovar o balanço do
terceiro trimestre da petroleira. Um dos motivos seria sua permanência na
presidência da Transpetro, já que ele fora citado nas denúncias da operação
Lava Jato.
Os investigadores
trabalham com a hipótese de que Machado é um elo importante para entender a
real atuação do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras.
A Lava Jato chegou ao nome
do ex-chefe da Transpetro depois que o ex-diretor da petroleira Paulo Roberto
Costa relatou ter recebido 500 mil reais das mãos do hoje delator. Ainda
segundo Costa, o presidente do Senado só teria mantido Machado no cargo porque
a subsidiária da Petrobras teria contratos com valores “canalizados” para o
esquema.
Paranoico
A gestão de Machado na
Transpetro ficou marcada, entre outras coisas, por sua “paranoia” com grampos.
De acordo com relato da coluna Expresso da revista Época, o ex-presidente tinha
o hábito de gravar as conversas que considerava como “delicadas”. Já segundo o
jornal El País, ele não começava nenhum diálogo sem antes se certificar que não
estava sendo gravado.
AQUI
Depois dos últimos
acontecimentos – que envolvem desde os registros de Machado e a gravação que
levou o hoje senador cassado Delcídio do Amaral à prisão preventiva -, é de se
esperar que Brasília comece a tomar providências semelhantes.