Conheça como surgiu a tradição de fogueiras no São João

Por - 24/06/2015
“A fogueira tá
queimando em homenagem a São João…”, cantou Luiz Gonzaga. De acordo com
a tradição católica, a fogueira queimou, nas montanhas da Judeia, para anunciar
o nascimento de João, no dia 24 de junho. Foi a forma que sua mãe Isabel
encontrou para comunicar a chegada do filho à Maria, sua prima, que também
estava grávida e seis meses depois daria luz a Jesus.
“Como Maria, Isabel
também engravidou contra todas as probabilidades. Não era virgem, mas dizia-se
que estava estéril e tinha idade avançada quando concebeu o último filho. Ele
se tornou um pregador e ficou conhecido por batizar os gentios nas águas do Rio
Jordão. […] Para ganhar de vez o apelido de `Batista´, realizou um feito
capaz de fazer inveja a qualquer outro santo: abençoou o próprio Jesus”,
comenta Luciana Chianca, professora de Antropologia da Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (UFRN).
Segundo Luciana, tais
feitos conferiram a João Batista um lugar de honra entre os santos católicos:
ele é o único do qual se comemora, assim como Jesus, o dia do nascimento e não
o da morte, como os demais santos.
Antes da evangelização da Europa,
na Idade Média, as fogueiras eram utilizadas em rituais pagãos, que celebravam
a chegada do solstício de verão no Hemisfério Norte. Como uma maneira de dar
novo significado às práticas pré-cristãs, a exemplo dos cultos solares e
lunares relacionados à vida agrícola, o dia 24 de junho foi incorporado ao
calendário cristão, como comemoração ao nascimento de São João Batista.
“Naquele continente,
a diferença entre as estações é bem marcada por um contraponto: o solstício de
verão – dia com maior duração da luminosidade do sol (21 de junho) –, e seis
meses depois, o solstício de inverno – dia menos beneficiado pela luz solar (21
de dezembro). Entre os mais importantes cultos solares, registrava-se por toda
a Europa a queima noturna de fogueiras no solstício de verão, para festejar a
vitória da luz e do calor sobre a escuridão e o frio. A Igreja Católica adotou
esses marcos cósmicos, atribuindo aos primos João e Jesus dois momentos de
honra para seus nascimentos: o primeiro, perto do solstício de verão; o segundo,
perto do solstício de inverno”, explica Luciana Chianca.
Reza a tradição popular
que, para cada santo junino, a fogueira tem de ser armada de uma determinada
maneira: a de São João deve ter uma base arredondada, já a de Santo Antônio
deve ser quadrada e a de São Pedro, triangular.