sábado, outubro 23, 2021
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Comprador de avião era ‘entregador’ de propina de Eduardo Campos, aponta PF

O empresário João Carlos
Lyra Pessoa de Melo Filho é apontado como líder de suposto grupo criminoso e
encarregado de entregar propina da empreiteira Camargo Corrêa ao ex-governador. 
Por: AE
Ao indiciar 20 investigados
na Operação Turbulência, a Polícia Federal apontou o empresário João Carlos
Lyra Pessoa de Melo Filho como líder de suposto grupo criminoso e encarregado
de entregar propina da empreiteira Camargo Corrêa ao ex-governador Eduardo
Campos – morto em acidente aéreo em agosto de 2014 – e ao senador Fernando
Coelho Bezerra (PSB-PE), pai do ministro das Minas e Energia do governo
interino Michel Temer (PMDB), Fernando Filho.
Os valores entregues por
João Carlos Lyra, segundo a PF, teriam origem nas obras da Refinaria Abreu e
Lima, realizada pela Petrobras no Estado de Pernambuco. A Abreu e Lima é alvo
de outra Operação da PF, a Lava Jato.
De acordo com a PF, Lyra
assinou o Termo de Intenção de Compra e se apresentou formalmente como o único
comprador do avião Cessna Citation PR-AFA que caiu em Santos (SP) há dois anos,
matando Eduardo Campos, o então candidato à presidência pelo PSB.
A informação sobre a atuação
de Lyra foi detalhada à delegada Andrea Pinto Albuquerque pelos ex-funcionários
da Camargo Corrêa Gilmar Pereira Campos e Wilson da Costa. De acordo com os
ex-funcionários, para viabilizar o pagamento, a empreiteira realizou um
contrato fictício com a Construtora Master. O objeto do contrato seria a
terraplenagem na obra da refinaria de Abreu e Lima, mas o serviço nunca foi
prestado.
Os valores arrecadados com
os contratos fraudulentos, diz a PF, eram repassados para João Carlos Lyra por
meio de entregas de dinheiro vivo e por meio de depósitos em contas de grupo de
empresas de fachadas em nome de laranjas ligados ao líder do grupo criminoso.
O inquérito da Turbulência
investiga uma organização criminosa responsável pela criação e manutenção de
uma série de empresas de fachadas utilizadas, segundo a PF, para fazer circular
“recursos de origem espúria” de modo a ocultar os remetentes e
destinatários desses valores.
Embora a investigação tenha
origem na queda do avião Cessna Citation, a delegada Andrea Pinho compartilhou
informações com a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e com o grupo de
investigadores da Procuradoria-Geral da República.
Em busca dos verdadeiros
proprietários do jatinho, os investigadores da Turbulência mapearam uma teia de
empresas de fachada utilizadas para lavar e supostamente escoar dinheiro
oriundo de obras públicas para campanhas políticas.
Estão na mira da PF repasses
da Camargo Corrêa e da OAS que teria origem em desvios praticados em obras da
Petrobras realizadas no Estado e na transposição do Rio de São Francisco.
Além de entregador de
propina da Camargo Corrêa, segundo a PF, Lyra também teria utilizado as contas
de empresas de fachada operadas por ele para escoar valores provenientes da
OAS. De acordo com a PF, entre 2010 e 2014, foram registradas ao menos 90
transações entre a construtora as empresas ligadas a Lyra que somaram R$ 14
milhões.
“Inegável, ainda, que
ele (Lyra) teria utilizado tais contas para aportar recursos provenientes de
contratos superfaturados executados pela OAS, em troca da entrega de dinheiro
em espécie que serviria de pagamento de propina a políticos e funcionários
públicos devidos por aquela empreiteira, dissimulando a natureza criminosa dos
valores recebidos”, sustenta a delegada da PF.
Defesas
“A defesa de João Lyra
nega que ele tenha praticado qualquer irregularidade. Todos os esclarecimentos
serão dados nos autos do processo.”
Questionado em nome do
falecido Eduardo Campos, o PSB afirmou que reitera a sua confiança na
“conduta sempre íntegra do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e o
apoio incondicional ao trabalho de investigação da Polícia Federal e do
Ministério Público, esperando que resulte no pleno esclarecimento dos
fatos”.

O senador Fernando Bezerra
Coelho, por meio de sua assessoria, disse que “não é investigado na
operação Turbulência” e informou que nunca coordenou “nenhuma
campanha de Eduardo Campos”.
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