Comissão da Alepe rejeita projeto que veta livros sobre sexualidade em escolas

10/05/2016 17h12
Por unanimidade, a
Comissão de Constituição, Legislação e Justiça da Assembleia Legislativa de
Pernambuco (Alepe) rejeitou, na manhã desta terça-feira (10), o Projeto de Lei
do deputado estadual Joel da Harpa, que visava proibir que professores usassem
em sala de aula material didático com menção a questões de gênero.
O PL 709/2016, publicado
no Diário Oficial do estado no dia 8 de março, impede não só o uso do material
didático como o ensino de qualquer tema semelhante.
“Nós entendemos que o povo
brasileiro, a grande maioria, não aceita a orientação da ideologia de gênero
sobretudo nas escolas e principalmente no ensino fundamental. Vendo essa grande
proporção de pernambucanos que não aceita a entrada da ideologia de gênero nos
planos estaduais de educação, até porque o próprio plano na questão de gênero
foi rejeita na Assembleia, então apresentamos essa proposta para que a
ideologia fique de fora de uma vez por todas nas escolas”, justifica.
Em entrevista concedida à
Agência Brasil no mês passado, Joel da Harpa nega que seja homofóbico. “Não
vejo dessa forma até porque eu acho que qualquer tipo de preconceito deva ser
combatido. Seja relativo a cor, seja homossexual, qualquer tipo de
preconceito”, disse.
“Se o cidadão resolveu ser
homossexual é um direito que assiste a ele e nós devemos respeitar e abraçar e amar
essas pessoas. O que a gente combate é a ideologia de gênero para as crianças
nas escolas. O que eu acredito é que a ideologia de gênero é um incentivo à
homossexualidade.”

O vereador do Recife,
Jayme Asfora – que vem lutando para barrar o projeto que proíbe o uso de livros
didáticos que mencionam a existência de famílias formadas por casais do mesmo
sexo em nossa sociedade – comemorou a decisão que também vedava que esse tema
fosse tratado em sala de aula. “Essa é uma vitória de todos que estão comprometidos
em garantir que, na escolas, possa ser ensinado o respeito às diferenças e a
convivência fraterna entre todas as pessoas”, ressalta Asfora.
Em sua opinião, a Comissão
mostra o que está no cerne dessa questão. Segundo Asfora, “ao defender que os
jovens que entendem a normalidade da existência da livre orientação sexual e da
identidade de gênero se tornarão cidadãos livres de preconceitos e
discriminações,  mostra-se, novamente, o
que tanto defendemos: não existe nenhuma intenção de se impor a tal ‘ideologia
de gênero’ – essa falácia criada pela bancada do conservadorismo”.
Para o vereador, essa
decisão dá ainda mais força para o debate que está acontecendo na Câmara dos
Vereadores e que deverá ser discutido em uma reunião pública que ele propôs na
semana passada – reunindo pedadagogos, psicólogos, representantes de entidades
de direitos humanos, entre outros.
O deputado estadual
Edilson Silva, que faz parte da Comissão comemorou a decisão, assista o
depoimento dele sobre o tema: Leia Mais >>>

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro