InícioAraripina em FocoComissão avalia que atendimento à microcefalia precisa chegar a cidades menores

Comissão avalia que atendimento à microcefalia precisa chegar a cidades menores

Apesar de adequado, o
atendimento às vítimas da microcefalia em Pernambuco ainda precisa ser
garantido também nos municípios mais distantes da capital. Foi essa a avaliação
da Comissão Especial que acompanha os casos da doença no Estado, em visita,
nesta quinta (7), à Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) do
Recife. Referência na atenção a famílias e pacientes, a entidade é parceira da
Secretaria Estadual de Saúde (SES) na identificação e no acompanhamento das
ocorrências, e atualmente cuida de 130 crianças com diagnóstico confirmado.
A recepcionista Maria
Paula, do Recife, mãe de uma menina com microcefalia, levou a filha para exames
com a equipe multidisciplinar da instituição e elogiou o atendimento oferecido
em unidades da rede pública. “Até agora fomos muito bem atendidas, desde a
maternidade até o posto de saúde próximo à minha casa”, contou. Neuropediatra e
gerente médica da AACD, Vanessa Van der Linden confirmou que as unidades de
saúde estaduais têm se esforçado para oferecer a melhor resposta possível ao
surto, embora ainda falte apoio em municípios menores. “A maior dificuldade é
ter profissionais capacitados fora dos grandes centros, o que já é um desafio
mesmo para o Recife”, apontou.
De acordo com a
especialista – uma das primeiras a relatar o crescimento incomum do número de
casos em Pernambuco –, outro grave problema é a pouca oferta gratuita de
remédios para as complicações relacionadas à microcefalia, como convulsões e
dificuldade de deglutição. “O Estado e as prefeituras precisam fornecer os
medicamentos,” salientou.
A deputada Simone Santana
(PSB) lembrou que, embora o diagnóstico já seja feito fora da capital – como em
Caruaru, Serra Talhada e Petrolina –, é preciso capacitar equipes de saúde nos
municípios para encurtar o tempo do tratamento e reduzir os custos para as
famílias. “Um atendimento quase diário com fisioterapeutas, terapeutas
ocupacionais, psicólogos e nutricionistas, mesmo sem muitos recursos, consegue
trazer benefícios importantíssimos para as crianças”, avaliou.
Presidente do colegiado,
Socorro Pimentel (PSL) reforçou a necessidade de descentralizar a atenção às
mães e bebês, e adiantou que o assunto deve compor o relátório da Comissão
Especial ao final dos trabalhos. “Estamos visitando os serviços de referência e
me deixa muito tranquila ver que as coisas estão acontecendo”, afirmou. “Mas a
quantidade de neuropediatras no Estado continua limitada e está clara a
importância de capacitar os profissionais da rede pública”, salientou.

Segundo o último boletim
publicado pela SES, no início da semana, 303 ocorrências da doença foram
confirmadas em Pernambuco, sendo 129 relacionados ao zika vírus. A Região
Metropolitana do Recife concentra a maior parte dos pacientes, mas há casos
suspeitos em cidades de todas as regiões. Recife (55), Jaboatão dos Guararapes
(26) e Olinda (15) são os municípios de maior incidência.
Assessoria de Imprensa | Araripina em Foco

Oferecimento 

RELACIONADOS