Coluna “O que ela diz não se escreve”

Por - 18/11/2015
Sem
informar qual o plano que tem para isso, nem em quanto tempo ele poderá ser
executado, a presidente Dilma Rousseff garantiu que fará da tragédia do
rompimento das barragens em Mariana, Minas Gerais, um caso exemplar de
recuperação ambiental.
Modesta,
ela disse que o Rio Doce, condenado à morte, voltará a ser o que já foi no
passado distante, e põe distante nisso, quando a Mata Atlântica dominava a
paisagem da região e o homem ainda sequer tinha aparecido no pedaço.

Se houve esse desastre, se houve essa calamidade, se nós perdemos vidas
humanas, se populações municipais foram atingidas, o que eu acho que nós temos
de fazer é dar um exemplo: é recuperar esse rio, revitalizá-lo, mas
revitalizá-lo não só olhando o que aconteceu no curtíssimo prazo, mas
revitalizá-lo no sentido de torná-lo novamente o rio que ele foi antes de nós,
humanos, através ou de empresas ou de vários processos, termos chegado ali —
disse Dilma.

Ela
também não disse de onde sacará dinheiro para sustentar sua ambição. É um detalhe
que, em busca da popularidade perdida, não lhe importa tanto. De resto, com a
última eleição, Dilma aprendeu que pode dizer uma coisa e fazer o contrário.
Temer
defende PMDB com Dilma até 2018, mas não obtém consenso

Mesmo
sem ser consenso no PMDB, o apoio do partido ao Governo Dilma Rousseff (PT)
será mantido até 2018. Ao menos é o que disse o presidente da legenda e
vice-presidente da República, Michel Temer, nesta terça-feira durante o
congresso dos peemedebistas em Brasília. Enquanto discursava, o vice-presidente
ouviu cerca de 20 representantes de grupos anti-Dilma, que não são filiados ao
PMDB e se infiltraram no evento, gritarem a palavra impeachment e a seguinte
frase: “Brasil, pra frente, Temer presidente”. Alguns erguiam cartazes com os
dizeres: “Temer, vista a faixa já”.
Ao
ter sua fala interrompida, Temer disse de maneira constrangida: “Por enquanto,
não. Obrigado. Vamos esperar 2018. Vamos montar um candidato, um grande nome do
PMDB. Eu estou encerrando a minha carreira”. Quando questionado por jornalistas
sobre a discussão de desembarque do Governo, o peemedebista disse que era algo
natural, mas que o seu partido não deixaria o barco petista. “Nós temos de
colaborar com o país. Mesmo as pessoas que querem a saída do governo federal
querem colaborar com o país”, afirmou.
Em
seus quase 20 minutos de discurso, Temer citou o Governo Rousseff apenas uma
vez, sem falar o nome da presidenta. Disse também que para o Brasil sair da
crise era preciso haver mudanças estruturais, não cosméticas. Pediu, por
exemplo, alterações na política econômica (com a criação do orçamento zero) e
nas regras de aposentadoria e sugeriu que, sem elas, a previdência brasileira
quebra. Voltou a citar ainda a necessidade de um nome para unificar o país.
“Não é de hoje que tenho falado em reunificar o pensamento nacional e pacificar
a nação. Não é da índole do brasileiro a disseminação do ódio”.