Coluna “Lula escala Dilma para abrir o diálogo com a oposição”

19/11/2015 15h51
Há que se separar o joio do trigo
e não necessariamente conferir tanta importância ao joio, como de hábito.
Pela primeira vez de público,
Lula admitiu, ontem, em entrevista a Roberto D’Ávila, da Globo News, que pode
ser desejável um diálogo entre governo e oposição para tratar dos problemas do
país.
Menos por se negar a participar,
e mais para não ferir a sensibilidade de Dilma, Lula disse que o diálogo
depende da presidente da República. E que a iniciativa deve ser dela.
Lula lembrou das vezes em que
esteve ao lado de Fernando Henrique e de Mário Covas – o primeiro então
candidato ao Senado, o segundo a governador de São Paulo em 1994 e 1998.
Condicionou o diálogo ao
estabelecimento de uma agenda de assuntos e a propostas “concretas”. E lembrou
que os protagonistas do diálogo devem ter procuração dos seus partidos para
negociar.
Aqui mora um dos problemas para
que o diálogo produza bons resultados. Lula manda no PT. E se ele e Dilma se
entenderem, ela poderá falar pelo partido.
Fernando Henrique não manda no
PSDB. Há ali pelo menos quatro caciques: o ex-presidente, José Serra, Geraldo
Alckmin e Aécio Neves. Nem sempre eles estão de acordo.
Fez parte de outro momento
relevante da entrevista o comentário de Lula a respeito da situação que
atravessa seu filho caçula Luis Cláudio Lula da Silva, alvo de investigação da
Polícia Federal.
– Meu filho sabe o seguinte: ele
tem que provar que fez a coisa certa. Tem que provar. Se ele não provar, está
subordinado à mesma Constituição que eu estou, às mesmas leis. É chato? É. Mas
é bom.
A empresa de Luis Claudio recebeu
R$ 2,5 milhões da Marcondes & Mautoni, que teria feito lobby para aprovação
de uma medida provisória que beneficiou a indústria automobilística em 2009.
A leitura enviesada do comentário
de Lula poderia sugerir que ele largou o filho de mão para não ser atingido
pela suspeita de que assinou a medida provisória no âmbito de uma negociata.
O joio da entrevista reuniu
algumas afirmações bizarras de Lula. Do tipo: não quer tirar Levy do Ministério
da Fazenda; é favorável ao ajuste fiscal; e desconhecia a roubalheira na
Petrobras.

Bizarras porque na contramão do
que ele quis ou ainda quer.
Em Araripina Reuniões já movimentam o cenário políticos – Algumas articulações política já começaram, as informações que recebi, foram de pessoas ligadas ao grupo do prefeito, que já sinalizam mais rompimentos. Por enquanto não posso revelar amigos, mas amanhã na coluna vou trazer um artigo falando sobre esses encontros poderosos. 
Aguardem 
Por Damião Sousa 

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro