Caso Beatriz: Calma e sensatez são fundamentais para encontrar assassino

01/03/2016 13h53
O crime brutal cometido contra Beatriz Angélica Mota,
de sete anos, que chocou Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), parece ter deixado
também a população mergulhada numa paranoia sem fim, após a divulgação na
semana passada do retrato falado do provável assassino da menina. E isso é
muito perigoso, principalmente em tempos de redes sociais.
Tais ferramentas,
que deveriam servir somente para colaborar, também podem atrapalhar. Foi o que
aconteceu ao irmão do jogador do Barcelona, Daniel Alves.
O músico Ney Alves
foi associado, de forma irresponsável, ao homem do retrato falado, através de
comentários no WhatsApp e Facebook.
O mesmo aconteceu
ao ex-funcionário do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, Adaílton da Silva
Paixão. Em áudios divulgados pelo WhatsApp, uma mulher simplesmente afirma
“achar” que o assassino poderia ser Adaílton, ligando o nome dele ao fato de
ter sido demitido do colégio onde o crime aconteceu. E pior: faz ilações ao
nome do ex-funcionário com bruxaria, insinuando que Beatriz teria sido morta
num ritual satânico e que Adaílton estaria envolvido, juntamente com outras
pessoas.
No último final de
semana, um suposto suspeito pelo crime foi preso em Salvador (BA). O fato
viralizou pelas redes sociais, mas o delegado responsável pelo caso, Marceone
Ferreira, afirmou que o rapaz detido seria um andarilho e aparentemente
apresentava transtornos mentais ao depor à polícia baiana, descartando a
hipótese de que teria sido ele o assassino de Beatriz.
Todo cidadão de
bem, seja de Petrolina ou Juazeiro, quer ver o monstro que ceifou a vida de uma
inocente atrás das grades. Mas a ansiedade de achar culpado (as) ou declarações
levianas baseadas em “achismos” não levarão ao assassino. Pelo contrário: só
servirão para prejudicar as investigações.
Neste momento em
que todos clamam ansiosamente por justiça, o melhor a se fazer é deixar a
polícia fazer seu trabalho. Calma e sensatez são fundamentais. (Fonte:Carlos Britto)

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro