Brasil vai às ruas pela terceira vez contra Dilma e o PT

Por - 16/08/2015
O governo Dilma Rousseff
enfrenta neste domingo o terceiro protesto popular em apenas oito meses do seu
segundo mandato. Assombrados pelo fantasma da inflação – cujo índice já supera
a popularidade da presidente -, diante do maior índice de desemprego em mais de
cinco anos e perplexos com a magnitude do esquema de corrupção desvendado pela
Operação Lava Jato, os brasileiros voltam às ruas para um ato que tem como mote
a frase “Não vamos pagar a conta do PT”. Em Brasília, a classe
política está atenta às manifestações, que podem jogar novamente no fundo do
poço um governo que ensaiou na última semana tentativas de emplacar uma agenda
positiva.
Convocado pelos movimentos
Brasil Livre, Vem Pra Rua e Revoltados On Line, os protestos deste domingo
estão confirmados em mais de 200 cidades, segundo o líder do Vem Pra Rua,
Rogério Chequer. O mapa das manifestações vai de Norte a Sul do país e inclui
todas as capitais. “Espero que o Congresso reconheça o clamor popular,
talvez num nível nunca antes visto na história deste país, e encaminhe um
pedido de impeachment”, afirma Chequer. Ele garante, contudo, que o foco
dos protestos não será apenas o “fora Dilma”, mas também a luta
contra a corrupção. “O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem
uma lista de 48 políticos suspeitos de envolvimento no petrolão. Exigimos saber
o que será feito dela”, completa.
Assim como nos demais
protestos, a Avenida Paulista será o grande termômetro das manifestações. Os
diferentes grupos que convocaram os atos antigoverno ficarão espalhados da
seguinte maneira: Vem Pra Rua ficará na esquina da Avenida Paulista com a Rua
Pamplona, o MBL, em frente ao Masp, e o Revoltados On-line, no cruzamento com a
Augusta. A Polícia Militar vai aumentar o efetivo na região da Paulista e
também nas estações de metrô, principal meio de chegada dos manifestantes ao
local. Serão destacados 1.000 homens para o evento. Para evitar eventuais
confrontos com grupos pró-PT, os participantes são orientados a não reagir a
provocações, como explica Renan Haas, do Movimento Brasil Livre. “Não
registramos qualquer ocorrência nos demais protestos e não será agora”,
afirma.
Se o primeiro protesto, em
março, se deu de forma apartidária, agora o movimento conta com o apoio de
lideranças da oposição. O PSDB chamou a população às ruas em inserções no rádio
e na televisão – segundo a coluna Radar, de Lauro Jardim, o presidente do
partido, senador Aécio Neves, pretende participar pessoalmente da manifestação.
O deputado tucano Carlos Sampaio (SP) prevê um grande engajamento da população
neste domingo. “O governo aposta que as manifestações não vão dar em nada.
Mas vão, e será um baque para a presidente e sua base aliada, que tem se
mantido cada vez mais distante desse governo”, afirma o líder do PSDB na
Câmara.
Para o peemedebista
Leonardo Picciani (RJ), a tese de impeachment “perdeu um pouco de
força”. Ao longo da semana passada, o governo federal conseguiu respirar
em meio à crise política: o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
decidiu estender a mão a Dilma com sua Agenda Brasil e o Tribunal de Contas da
União concedeu mais tempo para o governo explicar as pedaladas fiscais. Além
disso, o Planalto emplacou diversos encontros com movimentos de esquerda em busca
de apoio à petista. “É preciso aguardar a dimensão dos protestos. O mundo
não acaba depois de uma manifestação, mas é evidente que os protestos podem ter
alguma influência e, principalmente, exigir uma maior ação para reagrupar a
base e tomar medidas de recomposição”, diz o deputado.

Mas a posição moderada não
é unânime no partido. “Tudo no Brasil começa depois do dia 16. O dia 17
vai definir se nós vamos passar mais três anos e meio sangrando ou se nós vamos
partir para uma alternativa de poder”, afirma um peemedebista rebelde.
Para Haas, “a voz das ruas justificará uma atuação mais drástica do
Congresso”. Já Chequer acredita que os recentes arranjos pró-Planalto são
mais um motivo de indignação que levará os brasileiros às ruas. “Criou-se
um sentimento de ‘não vamos deixar isso acontecer'”, afirma.