Triste realidade. O Brasil se tornou o país do mundo com mais registros de mortes diárias pela covid-19, superando os Estados Unidos, que está tocando um avançado programa de imunização contra a doença. Nas últimas 24 horas, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), foram 1.972 mortes no Brasil, contra 1.853 na nação mais rica do planeta.

Segundos os especialistas, a situação ainda vai piorar muito no Brasil, que enfrenta uma disseminação acelerada do novo coronavírus, agravada pelas novas cepas do micro-organismo. Nos próximos dias, o número de mortes pode passar de 2 mil, com chances de superar os 3 mil óbitos diários, pelas projeções do Ministério da Saúde.

No Distrito Federal, em sete hospitais da rede pública, já não há mais UTIs disponíveis para atender pacientes e, em muitos deles, pessoas estão dividindo os mesmos pontos de oxigênio. Em São Paulo, há relatos frequentes sobre cidadãos que estão morrendo nas filas de espera por falta de leitos. Em Santa Catarina, o colapso é geral.

Cemitério alimentado pelo negacionismo

O quadro se agrava porque o Brasil não conseguiu organizar a tempo um programa nacional de imunização. Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro negou a gravidade da covid-19, classificando-a como uma “gripezinha”. O resultado disso é que quase 270 mil brasileiros perderam a vida para o novo coronavírus.

Desorganizado, o Ministério da Saúde conseguiu enterrar toda a expertise que o Brasil tinha na área de vacinação. Não fechou contratos de compra de imunizantes no prazo certo e o governo sabotou, o quanto pôde, todas as iniciativas para a fabricação e a distribuição de vacinas, como no caso da CoronaVac, do Instituto Butantan.

Agora, Bolsonaro já pode botar na sua conta o recorde mais terrível que uma pessoa pode carregar sobre seus ombros: o de líder mundial de mortes diárias pela covid. O Brasil se transformou em um cemitério alimentado pelo negacionismo.

Vicente Nunes