AS TRADICIONAIS FAMÍLIAS SEMPRE ESTIVERAM NO PODER EM ARARIPINA

27/07/2016 12h52
O LIVRO ARARIPINA –
HISTÓRIA, FATOS E REMINISCÊNCIAS, NÃO NOS DEIXA MENTIR
Se alguém perguntasse a você
quem foi o primeiro prefeito de Araripina, certamente responderia Francisco da
Rosa Muniz – o conhecido Chiquinho Cícero. Em verdade não foi ele o primeiro a
governar nossa terra, mas outro nome já ligado às raízes que formaria toda uma
árvore genealógica que dominou e continua dominando como uma hierarquia que
nunca foi quebrada, o poder que sempre esteve nas mãos das “Famílias
Tradicionais” do nosso Município. O primeiro prefeito de Araripina, Joaquim
José Modesto, é o princípio de uma era que até hoje nunca foi ameaçada, mesmo com
outras famílias tradicionais assumindo o poder no Município, sempre houve a
polarização de duas famílias que acabavam apenas invertendo a ordem e se
mantendo no comando dos destinos dos munícipes.
Veremos então a sequencia
dessa hierarquia tradicionalista a partir do próprio Francisco da Rosa Muniz,
que fora nomeado prefeito por conta da Revolução de 1930. Nos atos mais nove
nomes o sucederia a exemplo de João Cavalcanti Lima, Joaquim Alexandre Arraes –
o Major Quincó, José Deodato Santiago, novamente Joaquim Alexandre Arraes,
Manoel Ramos de Barros, José Araújo Lima, Ademar Alves de Freitas, Rubem Neri
da Silva, Luiz Gonzaga Duarte.
Logo depois da Revolução de
30 e com a queda de Getúlio Vargas em 1945, vislumbrou-se então a democracia.
Manoel Ramos de Barros, Seu Né, é eleito prefeito em 1947 pelo PSD, numa chapa
que encabeçara com Joaquim Pereira Lima, o Quinca Livino. Luiz Gonzaga Duarte
seria o próximo prefeito eleito pelo PSD em 1951 e em 1955 novamente o
candidato do PSD – Joaquim Pereira Lima assumiria em um acordo polarizado e em
1959, pela terceira vez Manoel Ramos de Barros sentava na cadeira da prefeitura
também pelo PSD.
Em 1963, Sebastião Batista
Modesto (Sebasto) quebrava a polarização entre PSD e UDN e se elegeria pelo
PTB. Em 1968 Raimundo Batista de Lima (Dosa) é eleito prefeito pela ARENA, e em
seguida nas eleições de 1972, Sebastião Batista Modesto assumia a prefeitura
pela segunda vez também pela ARENA. Em 1976, Dr. Pedro Alves Batista é eleito
prefeito pela ARENA 1, em uma disputa em que a ARENA 2, tinha José Valmir Ramos
Lacerda como candidato e Divágoras Bezerra de Holanda pelo MDB.  Em 1982 Valmir Lacerda é o vitorioso pelo PSD
numa chapa aglutinada pelo então Governador José Ramos Muniz,, com Emanuel
Santiago Alencar.
Na sequência foi eleito para
prefeito em 1988 – Dr. Valdemir Batista de Souza; Em 1992 – Maria Dionéa de
Andrade Lacerda (esposa de Valmir Lacerda); no ano de 1996 – Emanuel Santiago
Alencar – Bringel é eleito prefeito e reeleito em 2000; Em 2004 – Valdeir
Batista de Souza (irmão de Valdemir) se elege prefeito com o apoio de Bringel;
Em 2008 – Luiz Wilson Ulisses Sampaio (Lula) desafia as velhas raposas da
política local e se elege prefeito mais é afastado em dezembro de 2011; E
finalmente em 2012, depois de assumir 180 dias de interino no lugar de Sampaio,
o preferido do então governador Eduardo Campos (morto em um acidente aéreo em
agosto de 2014) Alexandre José Alencar Arraes, é eleito prefeito de Araripina,
mantendo assim a hegemonia tradicionalista.
Se o leitor de O Grande
Jornal perceber que não precisa de lupa e nem de uma imaginação brilhante, que
o poder em Araripina segue nas mãos das famílias tradicionais e que desafiar
essa hierarquia institucionalizada e predominante no Município é importante
para quebrar esse paradigma, já é o suficiente como análise criteriosa para
entender que está tudo errado e precisando de mudanças urgentes.
Portanto, ou mudamos o que
desde quando o Município se emancipou vem sendo mantido como proposta para
governar e manter as mesmas tradicionais famílias no poder, ou seremos
eternamente meros gados para os currais eleitorais.

Matéria de O Grande Jornal –
Mês de Junho

Sobre o Autor

Allyne Ribeiro