Oministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves determinou nesta sexta-feira (28/8) o afastamento imediato do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), do cargo, por desvios na área da saúde.

Segundo Gonçalves, o comportamento do chefe do Executivo estadual mostra um “desprezo com o senso mínimo de humanidade” e a prisão preventiva é o “único remédio” para “cessar a sangria” nos cofres públicos.

“Os fatos não só são contemporâneos como estão ocorrendo e, revelando especial gravidade e reprovabilidade, a abalar severamente a ordem pública, o grupo criminoso agiu e continua agindo, desviando e lavando recursos em plena pandemia da Covid-19, sacrificando a saúde e mesmo a vida de milhares de pessoas, em total desprezo com o senso mínimo de humanidade e dignidade, tornando inafastável a prisão preventiva como único remédio suficiente para fazer cessar a sangria dos cofres públicos, arrefecendo a orquestrada atuação da ORCRIM”, destacou o ministro do STJ na decisão.

A Operação Tris in Idem, um desdobramento das operação Placebo e Favorito, realizada nesta sexta-feira mira, além de Wilson Witzel, a primeira-dama Helena Witzel e a cúpula do governo do Rio de Janeiro por suspeita de corrupção em contratos públicos do estado.

Ainda com as investigações em andamento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o grupo por criar uma “caixinha da propina” com desvios de dinheiro público.

Segundo o órgão, o empresário Mário Peixoto teria feito pagamentos para o escritório de advocacia de Helena Witzel, citando o ex-prefeito de Volta Redonda Gothardo Lopes Netto como outro suspeito no esquema de pagamentos ilegais à primeira-dama.

A decisão de afastar o governador tem validade de 180 dias. Com a medida, quem assume a gestão do estado de forma temporária é o vice-governador, Cláudio Castro (PSC).

Entenda

A Operação Tris in Idem, um desdobramento das operações Placebo e Favorito, mira, além de Wilson Witzel, a cúpula do governo do Rio de Janeiro por corrupção em contratos públicos do estado.

Ao todo, a Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), cumpre 17 mandados de prisão e 72 de busca e apreensão nos palácios Laranjeiras e Guanabara, na residência do vice-governador, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, como também em outros endereços nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, além do Distrito Federal.

O afastamento de Witzel ocorreu após delação premiada do ex-secretário de Saúde do estado Edmar Santos, preso em julho deste ano no âmbito da Operação Placebo.

Edmar Santos foi exonerado do cargo no dia 17 de maio pelo governador Wilson Witzel, após o MPF e a PF investigarem possíveis fraudes na compra de respiradores para o tratamento da Covid-19.

Metropoles/Foto: Reprodução