É evidente que ainda estamos a pouco mais de um ano das eleições. E na política tudo pode acontecer em meses, dias e até em horas. Contudo, no atual cenário, já podemos antecipar um questionamento que estará no foco do debate de 22. Quem do bloco antagonista ao PSB vai para o sacrifício de disputar a cabeça de chapa majoritária contra o candidato da situação, que tem ao seu lado o apoio estadual, podendo ficar sem nada ao final do processo eleitoral?

Nos bastidores, ventila-se os nomes dos prefeitos Anderson Ferreira (PL), Raquel Lyra (PSDB), Miguel Coelho (MDB) e os deputados federais Daniel Coelho (Cidadania) e Marília Arraes (PT). Para disputarem a cadeira cativa do Governo do Estado, inclusive, os gestores de Jaboatão dos Guararapes, Caruaru e Petrolina teriam que fazer um sacrifício maior: desapegar do cargo já no primeiro semestre, período da desincompatibilização. Daniel Coelho e Marília Arraes teriam as condições mais confortáveis de concorrerem até o último minuto mantendo a vaga na Câmara.  

Entretanto, a derrota nas urnas poderá levar a qualquer um dos jovens postulantes a hibernar de dois a quatro anos. Vale lembrar que, em 2018, os então deputados federais e ministros na ocasião Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM) não disputaram o Governo, mas partiram para o tudo ou nada ao tentarem uma vaga no Senado. Ao final, ficaram sem o nada. Sem visibilidade, Mendonça Filho, inclusive, voltou a sofrer revés em 2020 na disputa para a Prefeitura do Recife. 

O cientista político e professor da Faculdade Damas e Unicap, Antônio Lucena, lembra que os candidatos têm que fazer uma relação de custo-benefício. “São escolhas racionais no sentido de buscar maximizar a sua utilidade minimizando os custos. Essa conta precisa ser feita com base nos apoios que eles vão ter. Se existe condições. O PSB tem a máquina e a oposição eu vejo muito desorganizada. Não tem união”, avalia.Nesse cenário, Lucena sentencia: “Se houver fragmentação da oposição isso facilitará a vida do PSB”. Ele prevê que somente uma Frente Ampla do bloco pode derrubar a hegemonia socialista no Estado. 

Anderson Bandeira